O Impecável
"Um homem que dorme tem em círculo à sua volta o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Consulta-os instintivamente ao acordar, e neles lê num segundo o ponto da terra que ocupa, o tempo que decorreu até ao seu despertar; mas as respectivas linhas podem misturar-se, quebrar-se." Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido



Os Impecáveis









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terça-feira, fevereiro 13, 2007

Silêncio - no hay banda...



Ouço e volto a ouvir. Quero perceber que não há banda presente, e no entanto o silêncio apodera-se da sala, sem que faça pressentir qualquer tipo de embaraço. O filme é enigmático, sem história aparente, mas a música magistral.
"E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"

Guilherme Oliveira Martins | terça-feira, fevereiro 13, 2007 | |

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Perseguição de carros 1



E depois dizem que o cinema contemporâneo não tem cenas memoráveis...
Guilherme Oliveira Martins | segunda-feira, fevereiro 12, 2007 | |



Revejo-me no passado...



...receando o futuro!
Guilherme Oliveira Martins | segunda-feira, fevereiro 12, 2007 | |



Sonho o futuro...



...relembrando o passado.
Guilherme Oliveira Martins | segunda-feira, fevereiro 12, 2007 | |



Glenn Gould : Bach - Keyboard Concerto No.1 D minor BWV 1052



Depois de um dia intenso de pesquisa - um bálsamo para os ouvidos cansados...
Guilherme Oliveira Martins | segunda-feira, fevereiro 12, 2007 | |

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Referendo ao Aborto


Como cidadão, sinto que devo partilhar a minha opinião relativamente ao referendo do próximo dia 11.

Antes de mais nada, devo desde já explicar que sou partidário do Não e que vou votar Não convictamente.

Li e reli uma série de artigos de partidários do Sim e do Não e, reconhecendo que as mulheres não devem ser penalizadas da forma como a lei actual prevê, sinto que tal não é razão suficiente para o Estado e todos nós avalizarmos que uma mulher possa abortar livremente até às 10 semanas, sem precisar de justificar minimamente a sua decisão.

Para começar, um Estado que se diz social com um governo socialista deveria ser o primeiro a procurar de uma forma construtiva apoiar e apresentar alternativas às mulheres e famílias que têm problemas sociais, económicos ou quaisquer outros em oposição a oferecer-lhes o aborto como a solução para todos os problemas! Ora, em vez de dizer que uma mulher grávida será protegida profissionalmente e apoiada financeira e socialmente o que o Estado diz é: Se tens problemas, aborta! Se o teu patrão despede mulheres grávidas, se o teu marido te pressiona, se a família pressiona, se tens medo do futuro, tens uma solução muito fácil, aborta!!

Não compreendo como é que um PCP ou até um BE não pedem políticas de cariz social mas advogam que o aborto em instituições de saúde pública é a solução.

Depois, isto vai acabar com a vergonha que é o aborto clandestino...Ilusões, só mesmo um trotskista ou um marxista leninista, que ainda vivem noutro mundo é que acham que sim! Então e depois das 10 semanas, o que é que acontece? E quem não quer dar a cara? Não quer correr o risco de ser reconhecida?

Dizem que os filhos que estão na barriga das mães não são filhos, não são seres humanos. Ora são o quê? Eu lembro-me de ir ver uma ecografia do meu filho às 8 semanas e de ter ficado impressionado com a imagem dele naquele ecrã. Isso é ser totalmente insensível à vida humana. É frio, insensível e cruel...

Para além disso, vai haver uma nova actividade em Portugal que é o aparecimento das clínicas de abortos, que ainda por cima ouvem o senhor ministro da saúde dizer que se for necessário o Estado paga a realização de abortos em clinicas privadas...Então este não é o mesmo Estado que está a acabar com várias Urgências pelo pa+is fora por contenção de despesas? E o Estado também paga a realização de partos em hospitais privados? Então o Estado paga ao privado para se abortar mas não para se nascer? É uma total discriminação, negativa ainda por cima!

Isto é que se chama criar incentivos aos nascimentos e ao aumento da taxa de natalidade!! Agora já não se vê o nascimento como uma alegria mas antes como um foco de problemas...

Falam em ficarmos civilizados...Na Alemanha criaram-se agora uma série de políticas de incentivo à natalidade porque tinham um problema grave de envelhecimento da população, para o qual a legalização do aborto também contribuiu... Estamos é sempre 20/30anos atrás do resto da Europa! Eles falam em Natalidade e nós no Aborto (tema que a Europa já discutiu há 2/3 décadas atrás).

Ninguém quer prender as mulheres que abortam, temos e devemos é perceber as causas para abortarem e tentar oferecer outras hipóteses, para poderem ter a alegria de criar um filho. O Estado assim consegue é desresponsabilizar-se de oferecer melhores condições de vida à população e da forma mais inteligente de todas: aprovando em referendo o verdadeiro fim do Estado social, passando a decisão para a esfera individual, não necessitando o Estado de fazer mais nada para alterar a situação.

É verdade que este problema foi criado porque os partidos políticos nunca se mostraram interessados em resolver o problema, criando mecanismos de defesa da posição das mulheres sem retirarem aos filhos qualquer espécie de estatuto. Sim, porque para os defensores do Sim um bebé de 10 semanas não é filho não é nada!

Uma última palavra para dizer que, enquanto pai, acho um pouco desapontante o estatuto do pai neste referendo. No final, não temos qualquer interesse, estatuto ou posição a defender caso a mãe queira abortar. A minha opinião não vale pura e simplesmente nada! O Estado considera o pai um salafrário que pressiona e manipula a mulher, não se lembrando dos pais que apoiam e que estão lá do lado das mulheres (que, ao fim e ao cabo, ainda são a maioria!). Eu acho isto no mínimo uma total falta de respeito e de consideração. Repare-se, se a mãe quer abortar e e o pai quer ter o filho, a opinião dele não vale nada, mas se ela quiser ter o filho e ele quiser que ela aborte, ele tem depois de criar, educar e formar uma criança (se se separar da mulher por causa desse nascimento não se escapa da pensão de alimentos para pagar a educação da criança que ele não quis!) A criança não é só da mãe! E o pai? Não tem voz?

Por tudo isto e mais ainda, voto Não. E espero que com a vitória do Não se possa pensar em verdadeiras políticas sociais.

Devo dizer que apoio este governo, tem tido a vida difícil mas tem tido um desempenho bastante positivo e espero ainda mais dele mas, para aprovar esta lei em Referendo não conte comigo!!

Já agora, temos uma Esquerda míope, que agarra numas bandeiras sem ter profundidade de pensamento nem nenhuma política positiva para o país! E assim o PM consegue por o país a falar disto durante um mês sem se discutir os problemas com que se depara a sua governação!!
Churchill | quarta-feira, fevereiro 07, 2007 | |

segunda-feira, novembro 13, 2006

Reviravolta na América


Eu não consigo ser imparcial, fiquei sobremaneira satisfeito com o resultado eleitoral da passada terça-feira nos EUA.
Finalmente começa a acabar o estado de graça de Bush! Bush ganhou várias eleições apenas com o discurso da segurança e luta contra o terrorismo. Ele acenou de tal forma o perigo e o medo que as pessoas sistematicamente votavam nele.

O discurso dele não mudou ao longo dos anos e não se apercebeu que os americanos é que mudaram...O seu discurso já não é suficiente e tem de demonstrar outros argumentos, argumentos esses que, infelizmente para o Presidente Bush, não tem.

Esta eleição vai finalmente limitar a sua governação, vai obrigar a negociações com os Democratas e, quem sabe, tornar este governo num governo mais conciliador, menos fracturante, radical.

Já era tempo. Depois destes anos de Bush, tenho saudades de Clinton!!

Parece-me que estes foram anos perdidos, em que retrocedemos no cenário das Relações Internacionais e que apenas fomentaram uma maior clivagem com os EUA.

Mas temos todos de ver que esses tempos mudaram, os americanos deram um claro sinal ao mundo, e nós temos de os incentivar e de aproveitar esse sinal. É agora que nós, europeus, temos de criar novas pontes de relacionamento, devemos procurar o diálogo e promover o debate dos grandes temas internacionais. Se queremos um mundo melhor, é nossa obrigação essa busca do contacto e intercâmbio com o mundo académico, os pensadores, governantes e diplomatas americanos.

O primeiro sinal já foi dado e o segundo também: já foi anunciado que irá ocorrer uma retirada faseada do Iraque.

Assim espero, que os tempos de cooperação internacional e de tolerância prevaleçam.
Churchill | segunda-feira, novembro 13, 2006 | |

quarta-feira, outubro 18, 2006

Os voos da CIA


Mas que frenesim é este com os voos da CIA? O BE e o PCP querem retirar desta história o quê?
Parecem histéricos!!

Então o PCP, partido financiado até há pouco mais de 10/15 anos directamente pela União Soviética, aquilo sempre foi uma vergonha, era totalmente dirigido desde Moscovo...Pelo que sei, quando ocorreu o 25 de Novembro de 75 apenas morreram dois homens, que mais não eram do que agentes secretos checos, que estavam cá em missão!! dentro de quartéis militares portugueses e tudo (foram os únicos que tentaram impedir a contra-revolução). Ora, que estavam agentes secretos de Leste a fazer cá, se não tivessem o beneplécito do PCP? Essa autoridade moral que não renega a sua ideologia estalinista (que, aliás, ficou conhecido por ser o maior santo que se conhece)! E o BE, resultante da fusão de maoistas com trotskistas (tanto um como o outro defensores acérrimos dos direitos humanos)!!
Estão a gozar com a nossa cara, só pode...
Então não há problemas graves para resolver no país? O que os preocupa é que a CIA tenha efectuado voos com presos suspeitos de serem terroristas e que tenham feito escala em território nacional? E se os mesmos suspeitos fossem libertos pelas autoridades nacionais e estes depois matassem dezenas de pessoas? O que diriam o BE e o PCP?
Eu não gosto de Bush, acho que errou, mas agora temos de apoiar a luta contra o terrorismo na mesma...
Deixem-se de barafustar sempre contra os americanos! Já cansa! Protestem contra o regime cubano, dos países de leste, da Birmânia, China. E sobretudo, ponham as mãos na vossa consciência de vez em quando...

Sinceramente, não há pachorra!
Churchill | quarta-feira, outubro 18, 2006 | |

segunda-feira, outubro 16, 2006

Que futuro?


Este fim-de-semana comprei o "Sol". Nada de especial, aliás, com poucas noticias de interesse e muito de 24 Horas. Mas posso dizer que o Editorial do Arq. José António Saraiva fez valer a pena a leitura.

Ele escreveu exactamente o que me vai na alma relativamente ao assunto da despenalização do aborto, casamento de homossexuais ou a insistência com que na semana passada os diferentes orgãos de informação abordaram o tema da eutanásia, por exemplo. E são sempre os orgãos de informação que maior destaque dão a estes temas.

Portugal é um país envelhecido. Não é novidade para ninguém, todos o sabemos. Então porquê esta insistência em se falar e cultivar temas ligados à morte, ao desprendimento da vida, a permitir cada um decidir quem quer que viva (mas só às mulheres) ou a institucionalizar relações homossexuais como se de heterossexuais se tratassem? Tudo isto não ajuda a resolver o verdadeiro problema de Portugal nesta área. Apenas contribui para o agudizar.

Devia-se falar do apoio à família, do apoio à natalidade, de melhorar as condições de vida e os cuidados de saúde aos mais velhos, de lhes ser possível aceder a seguros de saúde até mais tarde sem serem penalizados (já que a esperança de vida aumentou as regras dos seguros de saúde também deveriam ser actualizadas).

Mas que Esquerda é esta, que em vez de defender os interesses da maioria, das mães solteiras, das mães desempregadas, das familias com dificuldades financeiras, das famílias numerosas, das famílias com idosos carenciados, a necessitar de serviços de saude permanentes, se preocupa com os intelectuais urbanos homossexuais, com as mulheres que abortam (temos é de apresentar alternativas às mulheres com dificuldades, não incentivar e facilitar o aborto)...Que Esquerda é esta? Uma esquerda míope, só pode! Tem tanto tema para pressionar o governo, para defender o apoio social, a importância do Estado e resume-se a isto...

É pena! Os jornais gostam do que o BE vende mas isso não resolve o problema!

O que esperamos é uma mensagem de incentivo à vida, positivo. Para quê o discurso negativo? Chatices, já temos muitas!

Os 2 Euros do Sol valeram a pena...De resto, espero mais inspiração de futuro, noticias por favor.
Churchill | segunda-feira, outubro 16, 2006 | |

quinta-feira, abril 06, 2006

Angola, case study?


Agora está tudo entusiasmado com Angola, que é um caso único: Tiveram eleições democráticas há 15 anos e nunca mais houve eleições no país, têm o mesmo presidente desde então, como se tivesse toda a legitimidade eleitoral do mundo, com o beneplácito da comunidade internacional... Como é que conseguiram? Muitos o tentaram e não conseguiram...

É um fenómeno por analisar, penso eu...
Churchill | quinta-feira, abril 06, 2006 | |






Temos de ser sinceros, não há ninguém que possa apregoar de sucesso o valor do défice orçamental obtido em 2005. Mas, também temos de ser realistas e justos, dizendo que o governo tem tomado uma série de medidas difíceis mas necessárias para o desenvolvimento do país, cujo único mérito é o PM e a sua equipa.

Realmente, se algumas das medidas avançadas tivessem sido implementadas há 10, se calhar 15 anos, hoje poderíamos ser um país diferente. Mas também é preciso ter os pés bem assentes na terra...passar a obrigar que consultas médicas, pagamentos de selos de carro apenas se efectuem pela net, não só é completamente ilusório como é absolutamente ridículo! só se explica pelo entusiasmo gerado com as medidas e o desconhecimento do nosso país...
Churchill | quinta-feira, abril 06, 2006 | |

sexta-feira, março 17, 2006

Relação de trabalho privilegiada?


Vários artigos foram escritos sobre o futuro da convivência entre o recém-eleito Presidente e o PM Eng. José Sócrates.

O curioso é que, pela primeira vez que me recordo, duas figuras provenientes de partidos políticos diferentes e de áreas políticas diferentes, reúnem entre os analistas um certo consenso de que terão um bom relacionamento, de que o governo terá um apoiante das suas medidas mais reformistas e contestatárias em Belém. Até o insuspeito PCP isso afirmou.

Para mim, isso apenas é um sinal de que poderemos chegar a uma maior maturidade política em Portugal. Finalmente, ao fim de cerca de 30 anos de democracia, digo eu.

Pode ser que agora se possa trabalhar em prol de Portugal e para Portugal. Não contam partidarismos ou conspirações para um partido político atingir o poder. Não contam ódios pessoais ou preferências partidárias. Apenas conta o que é o melhor para o país.

É isso que espero da dupla Cavaco – Sócrates. É isso que devemos todos esperar.

É óbvio que a Oposição não deixará de ter um papel fundamental, de debate, análise crítica, discussão de projectos e de reformas, com conteúdo. Espero que não vá apenas debater o que o Governo propõe e apelar ao Senhor Presidente da República para vetar leis ou influenciar o Governo. Sugiro à oposição que apresente ela projectos, sugestões, alternativas às apresentadas pelo Governo, que as apresente à opinião pública, aos meios de comunicação social, ao Senhor Presidente (porque não?).

Só assim se constrói algo, com a ajuda dos que querem ajudar. Se não apresentam nada, não só não ajudam como também não querem ajudar. É o que se pode depreender.

Resta-me desejar as boas-vindas à dupla Cavaco - Sócrates e desejar-lhes um bom trabalho, para bem de todos nós.
Churchill | sexta-feira, março 17, 2006 | |

quarta-feira, janeiro 11, 2006

O IMPECÁVEL


Missa do 7.º dia

Os seus colaboradores, profundamente sensibilizados, agradecem todas as manifestações de pesar e solidariedade dos seus fiéis leitores e convidam a participar na evocação que terá lugar na Igreja do Campo Grande, às 19h00.
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Viverás sempre no nosso coração

Jagoz | quarta-feira, janeiro 11, 2006 | |

quinta-feira, novembro 10, 2005

Trivia


O Tribunal da Relação de Lisboa afirmou num Acórdão, c-o-m t-o-d-a-s a-s l-e-t-r-a-s, que o Ministério Público fez uma «tentativa grosseira de manipulação de depoimentos».

Jagoz | quinta-feira, novembro 10, 2005 | |

segunda-feira, novembro 07, 2005

Diletância


Falando um pouco mais a sério: a circunstância de as opiniões se formarem antes mesmo de se apurarem com rigor os factos que as deveriam moldar demonstra bem a indolência da nossa sociedade. Ninguém quer saber da Verdade. As pessoas só querem ter certezas. A certeza não coincidir com a Verdade – eis um problema que só vagamente nos deve preocupar.

Jagoz | segunda-feira, novembro 07, 2005 | |



Pardon my french


Extraordinário País o nosso, que tanto conhece de França. Tanto político, jornalista e comentador que, afinal e a julgar pela certeza com que falam, conhece intimamente os guetos de Paris. Eles adivinhavam o que agora se passa diante dos nossos olhos. Eles sabem o porquê dos motins; eles trocam teorias explicativas e causas justificativas.
De resto, verifica-se com satisfação que eles não precisam de muita informação para sintetizar e compreender, em meia dúzia de conceitos, tudo o que por lá se passou e se passa: bastam uns quantos factos para actualizar as suas ideias e para pôr as nossas em ordem. Com efeito, ainda não foi feito um levantamento dos factos no terreno e já a opinião portuguesa tem sólidas ilacções a extrair: ainda não se apurou, mesmo lá, a precisa identidade dos agentes da violência, mas a opinião portuguesa já sabe com rigor quem eles são; ainda não se depreende, in loco, que elemento permite agregar uma mole heterogénea de ódio, mas a opinião portuguesa já sabe a natureza dessa argamassa; ainda não se descortinuou, por lá, o ambiente em que cada um dos revoltados vive, mas já a opinião portuguesa sabe o que os move; ainda não se sabe se o movimento tem pretensões políticas, mas já a opinião portuguesa determina o que deve mudar no governo francês; ainda não se conhece a relação entre os motins ocorridos nas várias cidades - e nos vários países -, mas a opinião portuguesa já explica o contágio pelo comportamento mimético (sic).
Uma mente menos piedosa poderia dizer que estas opiniões debitadas como postulados matemáticos são, afinal, apenas visões meramente aproximativas da realidade. Que se fundam em mal lambidas crónicas alheias, em fugazes olhadelas em noticiários internacionais ou em enraízados preconceitos e concepções pessoais. Que essas opiniões seriam o mero eco de superficialidades de terceiros, uma repetição de inúteis lugares-comuns, um conjunto de juízos levianos, o resultado de conclusões precipitadas, o produto de profissões de fé. Mas, repito, isso seria uma apreciação pouco caridosa.
Tempos houve em que a ciência seguia o método científico, analisando o fenómeno para poder explicar o fenómeno. Mas isso, claro, foi antes da intelectualidade portuguesa.

Jagoz | segunda-feira, novembro 07, 2005 | |

sexta-feira, novembro 04, 2005

Memória futura


Em 25 de Fevereiro de 2004 e a propósito da política seguida em França relativamente à laicidade e à inclusão das comunidades muçulmanas no seu tecido social, escrevi o seguinte no Peço a Palavra:
«Esta lei [Lei do Véu] determinará a criação, na sociedade francesa, de uma multiplicidade de muros segregacionistas idênticos ao muro que Israel ergue, neste momento, na Cisjordânia. A única diferença é que no Médio Oriente o muro é material, de um betão inolvidável. Em França, teremos um muro invisível e subtil. E que não pode ser derrubado sem que se derrube, mais cedo ou mais tarde, o próprio Estado que o ergueu. [...] Com o futuro virá, naturalmente, o alargamento do campo de segregação: escolas para muçulmanos, escolas para judeus, escolas para católicos, escolas públicas; hospitais para muçulmanos, hospitais para judeus, hospitais para católicos, hospitais públicos; cemitérios para muçulmanos, cemitérios para judeus, cemitérios para católicos, cemitérios públicos; bairros para muçulmanos, bairros para judeus, bairros para católicos, bairros para os restantes. Findo o processo, teremos uma sociedade plenamente guetizada: várias populações vivem contiguamente e em estanquecidade, inevitavelmente numa má relação de vizinhança, em que só uma tem a preferência da Lei e do Estado».
Serve este post para dizer, apenas, que em 2004 não deveria ter escrito estas palavras como uma projecção; mas sim como a descrição de um caldo que já fervilha desde há anos.

Jagoz | sexta-feira, novembro 04, 2005 | |

terça-feira, outubro 11, 2005

Lugares paralelos? Ou nem isso?


«Some of the problems of rapidly expanding education were those which were common to all countries at this stage of change and growth. The rapid increase in population meant that, even if the proportion of children of school age who were at school grew, the total number of children who were still not in school did not necessarily diminish. To accommodate as many as possible, schools were opened rapidly, classes were too large for effective teaching and most teachers were not well trained for their work. The results were seen at every level; in particular Arab education tended to be inadequate at secondary level, and students who went to university were on the whole not well trained for higher study. There was a tendency to concentrate on academic education which would lead to governmen service or liberal professions, rather than upon technical or vocational training; the use of the hands as well as the mind was alien to the concept of education in Islamic as in most other pre-modern cultures. The growth of the oil industry was making a diference, however [...]»

(HOURANI, Albert -- A History of the Arab Peoples. Londres: Faber and Faber, 2002 -- p. 390 e 391)
Este trecho descreve o tecido educacional do mundo árabe. Não é dificil ver nele um decalque da nossa realidade. Ora, como se dizer isso não bastasse para enegrecer o nosso horizonte, deverá ainda acrescentar-se ao diagnóstico:
1. Primus, que o texto se refere ao mundo árabe dos anos 40/50 do século passado (!); ao passo que poderia descrever o actual estado da lusa arte de educar. Ou seja, para este efeito, o Portugal de hoje é o mundo árabe de 1950!
2. Em segundo lugar, que cometeu o destino a torpeza de não termos petróleo.
Nem tudo é mau, porém; ficamos ao menos a saber o que somos: somos pré-modernos.
KO.

Jagoz | terça-feira, outubro 11, 2005 | |

terça-feira, setembro 27, 2005

Merrimack and Concord


Há algo em H-D Thoureau que me fascina. Talvez seja a contemplação total. Como ele disse, «I love to be alone. I never found the companion that was so companionable as solitude». Há muito de verdade nisto. Como podemos estar com os outros -- se não conseguimos suportar um fugaz confronto com nós próprios? Como podemos ouvir os outros -- se receamos ouvir a nossa própria voz? Como podemos não temer os outros -- sem conhecer a nós próprios?
Enfim. Bom dia!
PS: Para responder à questão do Churchill, poderia sempre repetir a evidência de Bernard Shaw: «Democracy is a device that insures we shall be governed no better than we deserve». O que não é cinismo. É só outra forma de repetir o apelo de Kennedy.

Jagoz | terça-feira, setembro 27, 2005 | |

quinta-feira, setembro 22, 2005

Como é possível?


O que é que se passa no nosso país?
Como é que é possível ver fenómenos inqualificáveis como uma autarca acusada de corrupção fugir do país, fugir à justiça para evitar ser presa e regressar passados dois anos, com bom aspecto (de quem passou esse tempo na praia), decidir candidatar-se a eleições autárquicas (relembremos que fugiu exactamente por ser acusada de corrupção enquanto autarca), e ficar em liberdade por gozar de imunidade enquanto candidata!! Isto é uma aberração...

O que dizer do caso de um Presidente de Câmara, do mais baixo nível possível e imaginário, que é acusado de peculato, que é suspeito de corrupção, de fazer negócio consigo próprio vezes e vezes sem conta, utilizando mesmo recursos da Câmara em proveito próprio (e cobrando à Câmara a utilização desses recursos, como se fossem dele!!!), ser mais uma vez candidato com possibilidades de ser eleito, numa Câmara de maior dimensão (Amarante)!!!

Já para não falar de Oficiais na Reserva, expulsos antes do 25 de Abril por contrabando de materiais do Exército e posteriormente reintegrados na Reserva, que continuam a ganhar eleições, sem pudor, acumulando funções na política, no futebol, no poder autárquico, sem que ninguém se importe, ele continua a ganhar, mesmo sendo independente!! E Isaltino, que tem uma conta pelo seu sobrinho, taxista?

Falamos de problemas graves do país, como os económicos, sociais, políticos, mas o país em si e a sua cultura tem de ser toda repensada, temos de começar por aí de alguma forma. A Educação tem um papel fundamental no desenvolvimento de um país e nós bem precisamos!! É muito desgastante e penoso ver estas pessoas serem heróis. Como é que é possível?
Churchill | quinta-feira, setembro 22, 2005 | |

A ler

Patrick Gaumer, Le Larousse de la bande dessinée



Correspondence Between Stalin, Roosevelt, Truman, Churchill and Attlee During World War II



Dietrich Schwanitz, Die Geschichte Europas



Dietrich Schwanitz, Bildung - Alles war man wissen muss



Niall Ferguson, Virtual History: Alternatives and Counterfactuals



Niall Ferguson, The House of Rothschild: Money's Prophets 1798-1848



Niall Ferguson, House of Rothschild: The World's Banker, 1849-1998



Joe Sacco, Safe Area Goradze



Joe Sacco, Palestine



Hugo Pratt, La Maison Dorée de Samarkand



John Kenneth Galbraith, The Affluent Society (Penguin Business)



Mary S. Lovell, The Sisters - The Saga of the Mitford Family (aconselhado pelo Jansenista)



Charlotte Mosley, The letters os Nancy Mitford and Evelyn Waugh (aconselhado pelo Jansenista)



Ron Chernow, Alexander Hamilton



Henry Fielding, Diário de uma viagem a Lisboa



AAVV, Budget Theory in the Public Sector



JOHN GRAY, Heresies: Against Progress and Other Illusions



CATHERINE JINKS, O Inquisidor, Bertrand, 2004



ANNE APPLEBAUM, Gulag: A History of the Soviet Camps, Penguin Books Ltd, 2004



António Castro Henriques, A conquista do Algarve, de 1189 a 1249. O Segundo Reino



Philip K. Dick, À espera do ano passado



Richard K. Armey e Dick Armey, The Flat Tax: A Citizen's Guide to the Facts on What It Will Do for You, Your Country, and Your Pocketbook



Jagdish N. Bhagwati, In Defense of Globalization, Oxford



Winston Churchill, My Early Life, Eland




A ver

Eraserhead (um filme de David Lynch - 1977)


Eraserhead (1977) Posted by Hello

Nos meus lábios, JACQUES AUDIARD, 2001



A Tua Mãe Também, ALFONSO CUARON, 2002



Pickup on South Street, SAMUEL FULLER



The Bostonians, JAMES IVORY (real.)



In the Mood for Love, KAR WAI WONG, 2001



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