O Impecável
"Um homem que dorme tem em círculo à sua volta o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Consulta-os instintivamente ao acordar, e neles lê num segundo o ponto da terra que ocupa, o tempo que decorreu até ao seu despertar; mas as respectivas linhas podem misturar-se, quebrar-se." Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido



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domingo, novembro 07, 2004

De Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos...


Patriotas como nós, olhamos sempre para os nossos vizinhos espanhóis com desconfiança e com aquele olhar de que fomos , somos e seremos sempre rivais. O que é verdade é que durante séculos tivemos desavenças próprias de vizinhos, combatemos pelos nossos interesses mas nós, portugueses, podemos orgulhosamente clamar a nossa independência não só da presença árabe alguns séculos antes dos espanhóis, como dos próprios espanhóis e ainda atingimos a República vai para quase 100 anos, enquanto que ainda hoje o sistema político espanhol é uma monarquia constitucional.

Será que fomos mais avançados do que eles? Será que ainda o somos? Em que termos? Eu não sei, mas pude constatar no Sul de Espanha uma riqueza cultural e económica que não esperava. A presença árabe na sua cultura é muito nítida, houve mesmo um respeito pela cultura árabe, demonstrada pelos próprios reis espanhóis ao longo dos séculos. Não houve a fácil tentação de destruir a presença árabe com a conquista dos territórios, privilegiando-se mais o aproveitar o seu legado em prol de melhorar o que existia. Realmente, há cerca de 500 anos atrás, não teria sido tão fácil, com a conquista de Sevilha, de Córdoba e Granada destruir pela euforia os vestígios da sua presença? Ainda bem que não o fizeram, e a prova do avanço cultural árabe na Idade Média pode ser visto hoje pela Andaluzia fora. É pena não termos tamanha riqueza cultural no Sul do nosso país, provavelmente devido ao tristemente célebre Terramoto de 1755.

Uma coisa é certa, vale a pena visitar o Sul de Espanha, ninguém sai defraudado desse agradável passeio e vemos coisas impressionantes. Com a vantagem de se poder usufruir do sistema de SCUTS que foi implementado no país.

Aqui podemos pensar em várias questões do ponto de vista cultural. Não é curioso como no Sul de Portugal quase não se vislumbram vestígios da cultura árabe ou mesmo anteriores ao séc XVIII, num país com 800 anos de história? Não seria hoje um local muito mais interessante, com uma riqueza cultural muito diferente? E qual a consequência disso? Em termos sociais, económicos? Podemos constatar que a sua presença enriqueceu bastante a cultura da Andaluzia. O que será que perdemos? Nunca saberemos porque não é possível saber.

Interessante ainda é o facto de estarmos a falar da cultura árabe, a mesma que hoje em dia custa a acreditar que esteja tão atrasada em algumas questões tão importantes para todos nós como o respeito pela igualdade de direitos, pelos direitos humanos, pela liberdade de opinião, pela democracia. Eles eram provavelmente a cultura mais avançada há 600-1000 anos atrás e, no entanto, hoje em dia poucos sentirão isso em relação a eles.

No entanto, e voltando a falar da discrepância entre Portugal e Espanha, hoje não há dúvidas sobre qual o país mais desenvolvido e mais competitivo. Abraçámos as nossas actuais fronteiras antes, nunca passámos por qualquer espécie de divisionismo interno (como é o caso espanhol, cheio de rivalidades internas), adoptámos o republicanismo de uma forma vanguardista (com inúmeros problemas, é certo), mas Espanha teve um crescimento económico e social nos últimos 25-30 anos a todos os títulos surpreendente (embora o nosso também tenha sido assinalável). Há circunstâncias específicas que também ajudaram ao desenvolvimento espanhol. Mas a verdade é que assistimos a esse desenvolvimento com admiração e vontade de atingir essa mesma realidade.

Actualmente é normal ouvirmos dizer que Espanha não conseguiu conquistar Portugal em 800 anos mas que, economicamente, estamos a tornar-nos dependentes de Espanha. E isso é verdade. São instituições financeiras a entrar em força no nosso mercado, símbolos do consumismo como o Corte Inglés, herdades inteiras no Alentejo a ser adquiridas por espanhóis, até escritórios de advogados a ser adquiridos. Portugal pode e deve tentar fazer o mesmo e procurar aprender com os espanhóis, de forma a tornarmo-nos mais competitivos e preparados para o mercado europeu.

Mas é preciso passar das palavras aos actos, e isso já é outro problema...


Churchill | domingo, novembro 07, 2004 |

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A ler

Patrick Gaumer, Le Larousse de la bande dessinée



Correspondence Between Stalin, Roosevelt, Truman, Churchill and Attlee During World War II



Dietrich Schwanitz, Die Geschichte Europas



Dietrich Schwanitz, Bildung - Alles war man wissen muss



Niall Ferguson, Virtual History: Alternatives and Counterfactuals



Niall Ferguson, The House of Rothschild: Money's Prophets 1798-1848



Niall Ferguson, House of Rothschild: The World's Banker, 1849-1998



Joe Sacco, Safe Area Goradze



Joe Sacco, Palestine



Hugo Pratt, La Maison Dorée de Samarkand



John Kenneth Galbraith, The Affluent Society (Penguin Business)



Mary S. Lovell, The Sisters - The Saga of the Mitford Family (aconselhado pelo Jansenista)



Charlotte Mosley, The letters os Nancy Mitford and Evelyn Waugh (aconselhado pelo Jansenista)



Ron Chernow, Alexander Hamilton



Henry Fielding, Diário de uma viagem a Lisboa



AAVV, Budget Theory in the Public Sector



JOHN GRAY, Heresies: Against Progress and Other Illusions



CATHERINE JINKS, O Inquisidor, Bertrand, 2004



ANNE APPLEBAUM, Gulag: A History of the Soviet Camps, Penguin Books Ltd, 2004



António Castro Henriques, A conquista do Algarve, de 1189 a 1249. O Segundo Reino



Philip K. Dick, À espera do ano passado



Richard K. Armey e Dick Armey, The Flat Tax: A Citizen's Guide to the Facts on What It Will Do for You, Your Country, and Your Pocketbook



Jagdish N. Bhagwati, In Defense of Globalization, Oxford



Winston Churchill, My Early Life, Eland




A ver

Eraserhead (um filme de David Lynch - 1977)


Eraserhead (1977) Posted by Hello

Nos meus lábios, JACQUES AUDIARD, 2001



A Tua Mãe Também, ALFONSO CUARON, 2002



Pickup on South Street, SAMUEL FULLER



The Bostonians, JAMES IVORY (real.)



In the Mood for Love, KAR WAI WONG, 2001



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