O Impecável
"Um homem que dorme tem em círculo à sua volta o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Consulta-os instintivamente ao acordar, e neles lê num segundo o ponto da terra que ocupa, o tempo que decorreu até ao seu despertar; mas as respectivas linhas podem misturar-se, quebrar-se." Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido



Os Impecáveis









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terça-feira, novembro 02, 2004

Weblog, Looping e Respeito


O que é a blogoesfera? É difícil encontrar uma substrução definitória para algo tão fluído e, num espaço em que se erigem construções autónomas - tantas vezes inócuas, que negam qualquer espécie de sentido unitário à realidade -, muito dificilmente se consegue agasalhar esta existência em aros tangiveis.

Afivelam-se as distâncias, engendram-se os diálogos subliminares, rompem-se os consensos espontâneos, exacerbam-se as veredas autocompletativas, dá-se gás ao “pós-modernismo”, vera que, nos rigor das coisas, se serve do prefixo pós para descrever o fim de uma realidade que supostamente acabou, mas para a qual ainda não se dispõe de outra que a possa substituir.

Este caldo de opiniões, traço genético do ecletismo blogoesférico (“chamemos-lhe assim” – Ilustre, saudações!), pretende pôr em pé de igualdade todas as experiências, incompatibilizando-se com a pretensão ocidental à universalidade, pois relativiza todas as culturas e hipersubjectiviza o fluir da realidade . É, se quisermos, a abolição anunciada da consciência de um devir ao qual a extensão indefinida das liberdades dava o seu significado e que, aqui e além, por força dos arquivos “postcipados”, nos vai abonando a distância necessária para observar convenientemente uma realidade da qual vamos saíndo permanentemente.

Uma digressão pela bloguística exalta mesmo o sentimento de que, numa espécie de reflexo natural, indivíduos e sociedades procuram proteger-se, granjeiam substituir as crenças desacreditadas e buscam borboristicamente o declínio de novos dogmas, crenças ou catecismos, mesmo que, para tanto, não rebucem insultar todos os que, com maior ou menor audiência, cogitam transmitir ao mundo as suas idiossincracias mais policromáticas (a talho de foice, esquecem-se os anónimos que, servindo-se dos espaços abertos aos visitantes para descarregar os seus vitupérios e tentar amesquinhar por via do “insulto pelo insulto” quem exterioriza o seu pensamento, mais não fazem do que auto-amesquinhar-se, dimensionado um fenómeno masoquista de contornos percepcionáveis, mas, em todo o caso, abjectamente fágico para merecer qualquer rajo de compreensibilidade ou, mais opiniosamente, para convocar qualquer laivo de comiseração).

Fazem-se histórias, constróem-se factos, requestam-se protagonismos, travam-se emulações, agenciam-se visões, destoldam-se cartilhas. Entrecruzam-se, por itinerários tantas vezes esconsos, abreviaturas, simplificações, interpretações discutíveis e catecismos. As bússolas de orientação, os blogues de referência, os textos de reportação vão funcionando como crisol para a hipérbole das pulsões opinativas de todos os que ousam aventurar-se neste admirável mundo novo.

A profanação generalizada, muito por obra de alguns weblogers mais libertinos, vai propulsionando o formidável dinamismo da modernidade blogoesférica, cuja ausência de um discurso fundador vai estremecendo aquilo que muitos julgam ser o seu fundamento. Mas a blogoesfera não tem um discurso fundador. Ela é, em si mesma, o seu próprio fundamento. Um fundamento que, num movimento constante de rasgo, se desloca e se alarga. Fá-lo, porque se sente capaz de integrar no seu museu imaginário as artes do mundo inteiro e na sua arte particular todas as formas concebidas e concebíveis. Por isso, a pertinência deste espaço não pode, nem quer, ser determinada a priori. Uma tal determinação, por princípio, só é atingível por via do processo que se propõe explicar. Uma determinada estrutura não implica sempre um processo de evolução, sendo mesmo esse o paradoxo final que vai varando a weblogagem: o looping weblogiano, no estádio actual do seu percurso, não resulta em evidências objectivas, mas em contemplações carregadas de tonalidades mundividenciais, rasadas por respostas metafísicas. Para uns a metafísica da resposta, para outros a resposta da metafísica. Mas sem esquecer a metafísica da pergunta. Sem quadrados, mas com esferas. Sem frogs, mas com blogs. E, já agora, com algum mistério. Aqui, o mistério do magistério. A precariedade da opinião. A sublimidade da construção. A efemeridade do propósito. O rascunho do ser. Se quisermos, a projecção do pensar. Se meditarmos, a arte de weblogar, que, no transfundo da existência, mais não é do que a arte de examinar a realidade. Não como ela é, mas como nos parece ser. Ou, tantas vezes, como queríamos que fosse. Haja respeito por isso.

De Gaulle | terça-feira, novembro 02, 2004 |

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A ler

Patrick Gaumer, Le Larousse de la bande dessinée



Correspondence Between Stalin, Roosevelt, Truman, Churchill and Attlee During World War II



Dietrich Schwanitz, Die Geschichte Europas



Dietrich Schwanitz, Bildung - Alles war man wissen muss



Niall Ferguson, Virtual History: Alternatives and Counterfactuals



Niall Ferguson, The House of Rothschild: Money's Prophets 1798-1848



Niall Ferguson, House of Rothschild: The World's Banker, 1849-1998



Joe Sacco, Safe Area Goradze



Joe Sacco, Palestine



Hugo Pratt, La Maison Dorée de Samarkand



John Kenneth Galbraith, The Affluent Society (Penguin Business)



Mary S. Lovell, The Sisters - The Saga of the Mitford Family (aconselhado pelo Jansenista)



Charlotte Mosley, The letters os Nancy Mitford and Evelyn Waugh (aconselhado pelo Jansenista)



Ron Chernow, Alexander Hamilton



Henry Fielding, Diário de uma viagem a Lisboa



AAVV, Budget Theory in the Public Sector



JOHN GRAY, Heresies: Against Progress and Other Illusions



CATHERINE JINKS, O Inquisidor, Bertrand, 2004



ANNE APPLEBAUM, Gulag: A History of the Soviet Camps, Penguin Books Ltd, 2004



António Castro Henriques, A conquista do Algarve, de 1189 a 1249. O Segundo Reino



Philip K. Dick, À espera do ano passado



Richard K. Armey e Dick Armey, The Flat Tax: A Citizen's Guide to the Facts on What It Will Do for You, Your Country, and Your Pocketbook



Jagdish N. Bhagwati, In Defense of Globalization, Oxford



Winston Churchill, My Early Life, Eland




A ver

Eraserhead (um filme de David Lynch - 1977)


Eraserhead (1977) Posted by Hello

Nos meus lábios, JACQUES AUDIARD, 2001



A Tua Mãe Também, ALFONSO CUARON, 2002



Pickup on South Street, SAMUEL FULLER



The Bostonians, JAMES IVORY (real.)



In the Mood for Love, KAR WAI WONG, 2001



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