O Impecável
"Um homem que dorme tem em círculo à sua volta o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Consulta-os instintivamente ao acordar, e neles lê num segundo o ponto da terra que ocupa, o tempo que decorreu até ao seu despertar; mas as respectivas linhas podem misturar-se, quebrar-se." Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido



Os Impecáveis









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terça-feira, julho 26, 2005

Presidenciais (III) - A viragem


O aspecto político verdadeiramente relevante nestas eleições presidenciais não consiste em saber se vence «A» ou «B». Eu diria mesmo que esse facto é indiferente. Porque tudo indicia que os candidatos venham a exercer os poderes presidenciais semelhantemente: de modo interventivo.
Assim, relevante é o facto de o próximo mandato presidencial se perfigurar, em qualquer dos casos, como o início de uma viragem do sistema político português: de semi-parlamentar (ou semi-presidencial), vai caminhar no sentido do presidencialismo. Isto é inegável e evidente. É ao que conduz a personalidade dos candidatos, o fervor que será dado à corrida eleitorial, as nossas circunstâncias nacionais e, claro, o teor literal da nossa Constituição.
É este o facto político relevante. É isto que vai figurar nos manuais de história, de direito e de ciência política.

Jagoz | terça-feira, julho 26, 2005 | |



Presidenciais (II) - A inocência


Vejo muito actor e comentador político argumentar que escolher Cavaco Silva será uma escolha num Presidente que terá uma «concepção minimalista dos poderes presidenciais» e que, por isso, continuará o legado dos anteriores magistérios -- deixando mão solta ao Governo. Ou seja, que escolher Cavaco Silva será escolher um Presidente voluntariamente decorativo e que voluntariamente se inibe de intervir.
Que inocência; que candura. Onde terão deixado o bibe?..

Jagoz | terça-feira, julho 26, 2005 | |



Presidenciais (I) - A evidência


Mario Soares será, tudo aponta, candidato a Presidente da República. Revelador é o facto de ter recebido mais depressa o apoio oficial do Bloco de Esquerda do que o do próprio partido. QED.

Jagoz | terça-feira, julho 26, 2005 | |



Campbell's Tomato Soup, Bernard Shrimsley & Bloc Party



Campbell's Tomato Soup, Andy Warhol (1962)

Quando as merrie melodies de Carl Stalling colidem com o filme negro de Barry Adamson e quando em Julho de 2005 já só se discute eleições presidenciais, a silly season, de Bernard Shrimsley, vai assim: entre aproximações a uns Oasis menos etéreos, à folk açucarada dos subvalorizados Mendonza Line, é muito violino, slide-guitar, órgãos, baixo jangly, coros ao pontapé, batida upbeat, muita gritaria e, claro, muita festa. A dosear com sapiência a instrumentação, com sageza suficiente para fazer da repetição o chamariz para o momento em que surge o refrão luminoso, como acontece com o catapultado Silent Alarm dos Bloc Party. Boas férias!

JZM | terça-feira, julho 26, 2005 |

segunda-feira, julho 18, 2005

Ideias feitas - a propósito da relação ensino/riqueza


Não posso deixar de insistir na discussão do arquétipo instalado na sociedade portuguesa sobre a suposta relação causa/efeito entre educação e riqueza. Aqui deixo um contributo testemunhal (podia ser mais do que um).
S. tem perto de 80 anos. É natural da Ericeira e filho de pescadores. Foi, portanto, uma criança pobre. Note-se bem: pobre aqui ganha a verdadeira dimensão da palavra. Estamos a falar de um filho de pescadores em 1930.
S. não teve oportunidade de ir mais longe do que à 4.ª classe.
S. começou a trabalhar ainda cedo, enquanto criança.
S. embarcou, viajou, trabalhou.
S. veio para Portugal, investiu, criou riqueza somada à que já tinha.
S. tem hoje, por exemplo, vários prédios espalhados por Ericeira e Lisboa.
Todos os filhos de S. são licenciados.
Todos os netos de S. são licenciados ou estão a caminho da licenciatura.
Nenhum dos seus descendentes criou ou cria riqueza como S.

Jagoz | segunda-feira, julho 18, 2005 | |

terça-feira, julho 12, 2005

Os dilemas da Mariana


Estado vai abrir funções sociais a privados, lê-se no Jornal de Negócios. A externalização é a nova religião de que fala Jeremy Rifkin. Desfeita a ilusão de gratuitidade e omnipresença que surge associada aos bens e serviços fornecidos pelo Estado, a externalização corresponde ao significado mais comum que a subcontratação assume. Mas a subcontratação está longe de ser um processo uniforme. É mesmo uma das áreas mais plásticas, mais povoadas por instrumentos contratuais pouco definidos.
Contrariamente ao que sucede com outros contratos de natureza empresarial e em contraste com alguns sinais comunitários, a subcontratação não possui uma regulamentação pública especificada, existindo apenas algumas recomendações de organismos de suporte à actividade empresarial que visam mitigar a dependência das empresas subcontratadas. As vantagens são nítidas: (i) aligeira-se a máquina de produção, (ii) reduz-se os custos logísticos, (iii) aumenta-se a plasticidade e flexibilidade gestionárias, (iv) concentram-se os recursos em funções essenciais, (v) e ganha-se em economia de competências.
Sendo certo que os sindicatos não gostam do fenómeno – além da redução de efectivos geralmente associada, a subcontratação é encarada como uma forma de limitar as esferas de intervenção dos representantes dos trabalhadores, dado serem são conhecidas as especiais dificuldades de negociação colectiva nas pequenas empresas, que, a mais das vezes, não dispõem de estruturas representativas actuantes e que são aquelas que aparecem nas vestes de subcontratada -, a questão que concretamente se suscita, além das áreas externalizáveis e do recorrente problema do balde de Okun, é a que diz respeito ao modelo de subcontratação a seguir:
(i) encarrega-se a subcontratada da produção ou prestação de determinado volume de bens ou serviços, tendo em consideração as necessidades do Estado em melhorar a oferta sem que tenha necessidade de aumentar a sua capacidade produtiva, caso em que há uma produção paralela da contratante e da subcontratada e não verdadeiramente uma divisão técnica de trabalho entre ambas?
(ii) avança-se para um verdadeiro processo de divisão ou segmentação do ciclo produtivo, com carácter tendencialmente duradouro, em que se reserva ao Estado a definição do modo de prestar, ficando a cargo da subcontratada a produção ou execução de partes componentes do produto ou serviço final?
Sendo necessário, entre outras coisas, (i) identificar as diligências consideradas adequadas na selecção e monitorização dos prestadores de serviços e da sua performance; (ii) garantir que estes dispõem de meios que lhes permitam a protecção de informação tecnológica e da continuidade da prestação de serviços, (iii) assegurar a existência de mecanismos que salvaguardem a informação das bases de dados e (iv) acautelar os riscos que podem decorrer do facto de uma empresa prestar serviços de outsourcing a várias entidades, há questões a que só uma boa definição de regras poderá responder. O ensejo está aí. É que além de a opção por qualquer destes modelos acertar com a escola da public choice e de relevar no plano da economia constitucional (J. Buchanan), os quadros jurídicos que lhes correspondem são substancialmente diversos. Não havendo razões para encarar com desconfiança a subcontratação de produtos/serviços (bem ao contrário), a verdade é que o Supremo, bem recentemente, perante a intensidade dos poderes de direcção exercidos, desconsiderou, pretorianamente, a personalidade jurídica da subcontrada, vinculando juridico-laboralmente todos os trabalhadores à subcontratante.
E, como diz a Mariana, que vai na 37.ª tentativa de dieta, às vezes, quanto mais se pensa em emagrecer, maior é o apetite e, claro, maior a propensão para engordar.

JZM | terça-feira, julho 12, 2005 |

segunda-feira, julho 11, 2005

Meter as mãos pelos pés


No primeiro jogo de preparação do Benfica para a nova época, Karyaka, a meio da primeira parte, remata com o pé direito: a bola passa rente ao poste. Dez minutos depois, remata de meia distância com o pé direito. O locutor de serviço, eufórico, exalta: o russo utiliza os dois pés. E mais: remata com o pé que está mais à mão (SIC).

JZM | segunda-feira, julho 11, 2005 |

sexta-feira, julho 08, 2005

Zhongyao de zhanlue jiyuqi


Depois da descentralização produtiva emerge a deslocalização académica. Piggybacking? Ler.


JZM | sexta-feira, julho 08, 2005 |

quinta-feira, julho 07, 2005

Palavras para quê?



JZM | quinta-feira, julho 07, 2005 |

terça-feira, julho 05, 2005

Triste sina


Resta dizer que a sociedade portuguesa nunca produziria um texto como o aqui abaixo publicado. Nem no século XVIII nem no século XXI. A Declaração de Independência é um dos mais poderosos textos da história da Humanidade. É um grito que tem como conteúdo e pressuposto um espírito colectivo indómito de mudança, de iniciativa, de responsabilidade, de partilha e de criação. É tomar o destino nas nossas mãos.
Não temos isso. E é o nosso atavismo que nos atira, irremediavelmente, para a nossa mediocridade e para a nossa pobreza. O português olha com assombro e horror para o acto de afirmar, de criar, de fazer. O português nunca se lembra -- é que não lhe passa mesmo pela cabeça -- que pode fazer alguma coisa por si.

Jagoz | terça-feira, julho 05, 2005 | |

segunda-feira, julho 04, 2005

Ideias que se subscrevem


Declaration of Independence
[Adopted in Congress 4 July 1776]
The Unanimous Declaration of the Thirteen United States of America
When, in the course of human events, it becomes necessary for one people to dissolve the political bands which have connected them with another, and to assume among the powers of the earth, the separate and equal station to which the laws of nature and of nature's God entitle them, a decent respect to the opinions of mankind requires that they should declare the causes which impel them to the separation.
We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable rights, that among these are life, liberty and the pursuit of happiness. That to secure these rights, governments are instituted among men, deriving their just powers from the consent of the governed. That whenever any form of government becomes destructive to these ends, it is the right of the people to alter or to abolish it, and to institute new government, laying its foundation on such principles and organizing its powers in such form, as to them shall seem most likely to effect their safety and happiness. Prudence, indeed, will dictate that governments long established should not be changed for light and transient causes; and accordingly all experience hath shown that mankind are more disposed to suffer, while evils are sufferable, than to right themselves by abolishing the forms to which they are accustomed. But when a long train of abuses and usurpations, pursuing invariably the same object evinces a design to reduce them under absolute despotism, it is their right, it is their duty, to throw off such government, and to provide new guards for their future security. — Such has been the patient sufferance of these colonies; and such is now the necessity which constrains them to alter their former systems of government. The history of the present King of Great Britain is a history of repeated injuries and usurpations, all having in direct object the establishment of an absolute tyranny over these states. To prove this, let facts be submitted to a candid world.
He has refused his assent to laws, the most wholesome and necessary for the public good.
He has forbidden his governors to pass laws of immediate and pressing importance, unless suspended in their operation till his assent should be obtained; and when so suspended, he has utterly neglected to attend to them.
He has refused to pass other laws for the accommodation of large districts of people, unless those people would relinquish the right of representation in the legislature, a right inestimable to them and formidable to tyrants only.
He has called together legislative bodies at places unusual, uncomfortable, and distant from the depository of their public records, for the sole purpose of fatiguing them into compliance with his measures.
He has dissolved representative houses repeatedly, for opposing with manly firmness his invasions on the rights of the people.
He has refused for a long time, after such dissolutions, to cause others to be elected; whereby the legislative powers, incapable of annihilation, have returned to the people at large for their exercise; the state remaining in the meantime exposed to all the dangers of invasion from without, and convulsions within.
He has endeavored to prevent the population of these states; for that purpose obstructing the laws for naturalization of foreigners; refusing to pass others to encourage their migration hither, and raising the conditions of new appropriations of lands.
He has obstructed the administration of justice, by refusing his assent to laws for establishing judiciary powers.
He has made judges dependent on his will alone, for the tenure of their offices, and the amount and payment of their salaries.
He has erected a multitude of new offices, and sent hither swarms of officers to harass our people, and eat out their substance.
He has kept among us, in times of peace, standing armies without the consent of our legislature.
He has affected to render the military independent of and superior to civil power.
He has combined with others to subject us to a jurisdiction foreign to our constitution, and unacknowledged by our laws; giving his assent to their acts of pretended legislation:
For quartering large bodies of armed troops among us:
For protecting them, by mock trial, from punishment for any murders which they should commit on the inhabitants of these states:
For cutting off our trade with all parts of the world:
For imposing taxes on us without our consent:
For depriving us in many cases, of the benefits of trial by jury:
For transporting us beyond seas to be tried for pretended offenses:
For abolishing the free system of English laws in a neighboring province, establishing therein an arbitrary government, and enlarging its boundaries so as to render it at once an example and fit instrument for introducing the same absolute rule in these colonies:
For taking away our charters, abolishing our most valuable laws, and altering fundamentally the forms of our governments:
For suspending our own legislatures, and declaring themselves invested with power to legislate for us in all cases whatsoever.
He has abdicated government here, by declaring us out of his protection and waging war against us.
He has plundered our seas, ravaged our coasts, burned our towns, and destroyed the lives of our people.
He is at this time transporting large armies of foreign mercenaries to complete the works of death, desolation and tyranny, already begun with circumstances of cruelty and perfidy scarcely paralleled in the most barbarous ages, and totally unworthy of the head of a civilized nation.
He has constrained our fellow citizens taken captive on the high seas to bear arms against their country, to become the executioners of their friends and brethren, or to fall themselves by their hands.
He has excited domestic insurrections amongst us, and has endeavored to bring on the inhabitants of our frontiers, the merciless Indian savages, whose known rule of warfare, is undistinguished destruction of all ages, sexes and conditions.
In every stage of these oppressions we have petitioned for redress in the most humble terms: our repeated petitions have been answered only by repeated injury. A prince, whose character is thus marked by every act which may define a tyrant, is unfit to be the ruler of a free people.
Nor have we been wanting in attention to our British brethren. We have warned them from time to time of attempts by their legislature to extend an unwarrantable jurisdiction over us. We have reminded them of the circumstances of our emigration and settlement here. We have appealed to their native justice and magnanimity, and we have conjured them by the ties of our common kindred to disavow these usurpations, which, would inevitably interrupt our connections and correspondence. We must, therefore, acquiesce in the necessity, which denounces our separation, and hold them, as we hold the rest of mankind, enemies in war, in peace friends.
We, therefore, the representatives of the United States of America, in General Congress, assembled, appealing to the Supreme Judge of the world for the rectitude of our intentions, do, in the name, and by the authority of the good people of these colonies, solemnly publish and declare, that these united colonies are, and of right ought to be free and independent states; that they are absolved from all allegiance to the British Crown, and that all political connection between them and the state of Great Britain, is and ought to be totally dissolved; and that as free and independent states, they have full power to levey war, conclude peace, contract alliances, establish commerce, and to do all other acts and things which independent states may of right do. And for the support of this declaration, with a firm reliance on the protection of Divine Providence, we mutually pledge to each other our lives, our fortunes and our sacred honor.

Jagoz | segunda-feira, julho 04, 2005 | |

sexta-feira, julho 01, 2005

Rating de Portugal


A República de Portugal sofreu um downgrade da notação concedida pela agência de rating Standard & Poor´s. De seguida, surgiram vários artigos na imprensa dita especializada que faziam grande alarido que os portugueses é que vão ver as suas taxas de juros aumentadas. Vai ser as taxas de crédito à habitação, dos empréstimos todos, etc.

Não vejo como, pelo menos no curto prazo. O argumento avançado de que os bancos automaticamente quando vão pedir dinheiro emprestado lá fora também serão penalizados e estes vão repercutir no consumidor final é uma pura ficção. Aliás, este argumento apenas me faz prever que assim os bancos podem arranjar uma justificação para poderem explicar possíveis razões para aumentos de juros, podem sempre dizer "nós não podemos fazer nada. A culpa é do governo. Com a descida do rating os nossos custos aumentaram e agora, olha, temos de subir as taxas de juro...".

Digo eu, no meio da minha ignorância, "então e os bancos não têm rating eles mesmos? o rating deles também baixou? não vi nada! e o rating do BCP, BES, BPI é igual ao de Portugal? eles têm notações de rating independentes da da República e são avaliados consoante o seu desempenho. Somente no caso de serem iguais ao da República e com o Sovereign ceiling é que isso aconteceria (em princípio não deve haver empresas num país com melhor risco de crédito que o próprio pais). E, mesmo que houvesse downgrade, este foi bastante relativo, o outlook já era negativo e a repercussão nas taxas de juro é bastante reduzida.

Agora, eu ouvi comparações com o caso da Argentina!!! Isso é puro disparate... Não se deve esquecer que a Argentina anunciou que não ia pagar o seu serviço de dívida, os mercados financeiros ficaram a perceber que nunca iam ver o dinheiro deles!! e esta tinha o câmbio fixo em relação ao dólar numa altura em que isso já era incomportável!!

Gostam de alertar e de assustar para preencher páginas de jornal... Se quero comprar o 24 horas compro-o, não preciso do DE!!
Churchill | sexta-feira, julho 01, 2005 | |



Moral de Estado?


Nem de propósito. O JZM disse no post anterior que a escola serviria, sobretudo, para leccionar

«educação para a cidadania. Uma educação que passa pela integração de conceitos fundamentais à sociabilização do ser humano, como justiça, igualdade e solidariedade, sem os quais, por mais qualificado que se seja, pouco se contribuirá para melhorar a sociedade em que vivemos e da qual recorrentemente nos queixamos».

É? Será? A escola serve para transmitir noções valorativas, morais? Se assim é, que justiça (por exemplo) se deve aprender numa escola pública? A da moral oficial do Estado? Mas o Estado afinal tem moral oficial? Será a justiça do olho por olho, dente por dente? A de Talião? A aristotélica? Já nem digo a cristã, porque nesta sociedade tudo é admissível menos ser cristão.
E dando de barato que é uma «boa» justiça -- à escolha do freguês -- que se ensina, o que impede de amanhã se vir a ensinar uma «má» noção de justiça, de igualdade ou de solidariedade? Muita boa gente pensa que a eutanásia é um acto caritativo; e muito boa gente pensa o contrário. A eugenia era enquadrada na ideia de igualdade. E a «revanche» francesa era propagandeada pelo Estado francês como um acto de justiça.
Mas interessa sobretudo sublinhar isto: a escola pública não serve para dar formação moral. Não é o papel de um Estado (democrático, leia-se) preferir uma moral e impô-la aos cidadãos do futuro. A função da escola é transmitir conhecimentos científicos, que é aquilo que os progenitores não podem ou sabem fazer. Ponto final. Moral é coisa que se aprende em casa; e os pais não devem abdicar desse direito e dever. Dispenso ter o Estado a «educar» a minha prole; dispenso um Estado totalitário.

Jagoz | sexta-feira, julho 01, 2005 | |



Continuação


Centramo-nos tantas vezes na qualificação, no conhecimento, na assimilação de conceitos técnicos, que esquecemos aquilo que as escolas, independentemente do nível de ensino, deviam privilegiar: educação para a cidadania. Uma educação que passa pela integração de conceitos fundamentais à sociabilização do ser humano, como justiça, igualdade e solidariedade, sem os quais, por mais qualificado que se seja, pouco se contribuirá para melhorar a sociedade em que vivemos e da qual recorrentemente nos queixamos.
Sem essa interiorização dos valores fundamentais da vida em sociedade como, por exemplo, o respeito pelos outros, o aceitar das diferenças e o assumir das responsabilidades, não há sistema de ensino ou rede de qualificações, por mais exaltados que sejam, que cumpram fidedignamente os seus propósitos. Se isto dá para perceber muitas coisas (por mais mirabolantes ou fantasiosas que elas nos pareçam e, de facto, sejam), valha-nos uma sociedade civil que parece despertar da letargia em que viveu durante tantos anos, de que é exemplo a OIKOS, organização que, desenvolvendo acções de educação para o desenvolvimento, muito proclamadas, mas pouco ou nada praticadas, se substitui tantas vezes à Escola num papel que esta, sem razões plausíveis, parece não saber desempenhar.

JZM | sexta-feira, julho 01, 2005 |

A ler

Patrick Gaumer, Le Larousse de la bande dessinée



Correspondence Between Stalin, Roosevelt, Truman, Churchill and Attlee During World War II



Dietrich Schwanitz, Die Geschichte Europas



Dietrich Schwanitz, Bildung - Alles war man wissen muss



Niall Ferguson, Virtual History: Alternatives and Counterfactuals



Niall Ferguson, The House of Rothschild: Money's Prophets 1798-1848



Niall Ferguson, House of Rothschild: The World's Banker, 1849-1998



Joe Sacco, Safe Area Goradze



Joe Sacco, Palestine



Hugo Pratt, La Maison Dorée de Samarkand



John Kenneth Galbraith, The Affluent Society (Penguin Business)



Mary S. Lovell, The Sisters - The Saga of the Mitford Family (aconselhado pelo Jansenista)



Charlotte Mosley, The letters os Nancy Mitford and Evelyn Waugh (aconselhado pelo Jansenista)



Ron Chernow, Alexander Hamilton



Henry Fielding, Diário de uma viagem a Lisboa



AAVV, Budget Theory in the Public Sector



JOHN GRAY, Heresies: Against Progress and Other Illusions



CATHERINE JINKS, O Inquisidor, Bertrand, 2004



ANNE APPLEBAUM, Gulag: A History of the Soviet Camps, Penguin Books Ltd, 2004



António Castro Henriques, A conquista do Algarve, de 1189 a 1249. O Segundo Reino



Philip K. Dick, À espera do ano passado



Richard K. Armey e Dick Armey, The Flat Tax: A Citizen's Guide to the Facts on What It Will Do for You, Your Country, and Your Pocketbook



Jagdish N. Bhagwati, In Defense of Globalization, Oxford



Winston Churchill, My Early Life, Eland




A ver

Eraserhead (um filme de David Lynch - 1977)


Eraserhead (1977) Posted by Hello

Nos meus lábios, JACQUES AUDIARD, 2001



A Tua Mãe Também, ALFONSO CUARON, 2002



Pickup on South Street, SAMUEL FULLER



The Bostonians, JAMES IVORY (real.)



In the Mood for Love, KAR WAI WONG, 2001



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