O Impecável
"Um homem que dorme tem em círculo à sua volta o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Consulta-os instintivamente ao acordar, e neles lê num segundo o ponto da terra que ocupa, o tempo que decorreu até ao seu despertar; mas as respectivas linhas podem misturar-se, quebrar-se." Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido



Os Impecáveis









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segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Não perder...


A primeira edição semanal do "Limiano às Fatias", na Grande Loja do Queijo Limiano...
Guilherme Oliveira Martins | segunda-feira, fevereiro 28, 2005 | |



Imagine que...


me




Imagine que o Governo maioritário toma consciência que pode capturar o bem-estar social pela exploração das assimetrias informativas existentes....
Imagine que, em nome da simplificação das contas públicas, o Governo maioritário passa a apresentar um mero resumo das operações efectuadas, em detrimento da transparência e clareza financeira...
Imagine que o Governo maioritário passa a minorizar as intervenções no Parlamento, porque se sente legitimado pela comunidade para agir sem pactos de regime...
Imagine que, prevendo o cansaço do eleitor, os pequenos partidos são forçados a coligar-se para evitar reformas constitucionais de fundo propostas pelo Governo minoritário...
Imagine que o Governo, com medo do populismo, fecha-se a sete chaves e passa a decidir em comité...

Imagine que podemos não estar longe de tudo isto... Há uma linha ténue entre o uso e o abuso... Eu acredito que isto não vai acontecer!
Não sejamos negativos - as reformas de fundo têm de passar pela criação de entidades fiscalizadoras independentes que garantam o funcionamento do regime e o excesso de confiança das políticas governamentais constantes dos programas eleitorais...


me


Guilherme Oliveira Martins | segunda-feira, fevereiro 28, 2005 | |

domingo, fevereiro 27, 2005

A grandeza da política...


"Nor happiness, nor majesty, nor fame,
Nor peace, nor strength, nor skill in arms or arts,
Shepherd those herds whom Tyranny makes tame;
Verse echoes not one beating of their hearts;
History is but the shadow of their shame;
Art veils her glass, or from the pageant starts,
As to Oblivion their millions fleet
Staining that Heaven with obscene imagery
Of their own likeness. What are numbers knit
By force or custom? Man, who man would be,
Must rule the empire of himself; in it
Must be supreme, establishing his throne
On vanquish'd will, quelling the anarchy
Of hopes and fears, --- being himself alone."

Percy B.Shelley, 1821
Guilherme Oliveira Martins | domingo, fevereiro 27, 2005 | |

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Tempos




A Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto é hoje menos de lugar de passagem. Tendo a subtilíssima graça de só se deixar descobrir ao fim de não escasso tempo, é uma cidade que alarga a geografia interior de quem gosta do convívio da tradição centenária com as abordagens mais simples, tantas vezes confundidas com a aspereza linguística das suas gentes. Pelo que vejo aqui, é lá que os "blogues presenciais" vão proliferando e que, independentemente da nominação, se vai retomando a forma mais eficaz e espontânea de comunicação: a fala. Bom fim de semana!

JZM | sexta-feira, fevereiro 25, 2005 |



Alice procura a porta...


alice

Depois das eleições, o país espera o novo Governo, a ser decidido em conclave... Um governo de decisões sólidas, coerentes, eficientes e que enfrente as dificuldades económico-sociais da nossa comunidade. Há um país do outro lado do espelho?
Guilherme Oliveira Martins | sexta-feira, fevereiro 25, 2005 | |

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Temos coelhos nesta moita?..


Verifico -- quem constata são os franceses -- que, desde o último acto eleitoral, este blogue tem sido alimentado apenas por mim.
Que se passa? Por onde andarão os outros? Explicar-se-á o fenómeno com a avisada sabedoria do nosso Jansenista?

Jagoz | quinta-feira, fevereiro 24, 2005 | |



E agora vamos todos rir!


Foi hoje publicado no Diário da República...
[genuflexão]
... o Decreto-Lei n.º 47/2005, que aprova...
[rufo de tambor que indicia que vem aí a punchline]
...a orgânica do Ministério das Finanças e da Administração Pública!

Jagoz | quinta-feira, fevereiro 24, 2005 | |

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Corrente de ar


Agora que o PSD ficou sem o seu títere, todos se apressam a falar de «renovação». Todos falam em ter ideias novas, (re)construir uma ideologia. Assim, genericamente, vagamente. Fora do partido fala-se inclusivamente em «federar as direitas», colocar o liberalismo como proposta política. Mas o estimado leitor não se deixe adormecer.
Ao mesmo tempo, nestes dois dias, não vi soltar-se uma única ideia. Não vi uma declaração de apoio ser formulada condicionalmente a um percurso a trilhar. Vi, apenas, discutir-se nomes e o seu mérito em função do seu passado e da sua pertença a um certo círculo.
Veja-se bem, aliás, o procedimento adoptado: escolhe-se um novo Presidente (cara nova ou velha, pouco interessa) e ele que traga ideias novas. Como se se estivesse a adjudicar uma empreitada. Não interessa se a «ideia» é boa ou má, se representa ou não o PSD; interessa é que o PSD passe a ter umas ideias «modernas». Ou seja, em vez de fluir naturalmente um verdadeiro debate ideológico e conceptual, dinâmico e empreendedor, de que uma nova liderança seja representativa, interessa é pôr lá um líder escolhido mercê intrigas de sacristia e ele que, depois, traga p'raí umas ideias novas e um bocado de arrojo. A ideologia despudoradamente como instrumento de propaganda e de poder. É esta a «renovação» que aí vem.
Prometedor. Também podemos contar com estes...

Jagoz | quarta-feira, fevereiro 23, 2005 | |

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Na sequência do que foi dito



Posted by Hello

Esta é uma boa sugestão. E podiam deixar o Keynes lá na estante...
Jagoz | terça-feira, fevereiro 22, 2005 | |



Sorriam: feast your eyes on this!


«Portugal está no pior dos cenários quantos às remunerações do trabalho na União Europeia: os seus salários são os mais baixos da Zona Euro, mas os seus custos do trabalho são demasiado altos para serem competitivos face aos novos membros da comunidade».

São as conclusões de um estudo da Delloite feito à escala europeia. Vale a pena ler. E vale a pena pensar no que vamos fazer; descobrir um meio de sair deste enorme buraco.
PS - Nos «Prós e Contras» de ontem, a camarada Odete Santos deu o seu contributo por antecipação: apelou à subida dos salários, a qual estimularia o consumo e re-activaria a economia. Aplauso esmagador da assistência. Já sabemos com não podemos contar.

Jagoz | terça-feira, fevereiro 22, 2005 | |

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

You can put out the show, now...



Posted by Hello
Agora que os bloquistas têm 8 deputados na Assembleia, podem finalmente começar a usar gravata. Se tiverem dificuldade, podem começar por aqui.

Jagoz | segunda-feira, fevereiro 21, 2005 | |

domingo, fevereiro 20, 2005

Para recordar: boletim de voto para a Assembleia Constituinte (1975)




Guilherme Oliveira Martins | domingo, fevereiro 20, 2005 | |

sábado, fevereiro 19, 2005

O voto do Sebastião...




Porque os papagaios têm direito a votar no seu candidato!
Guilherme Oliveira Martins | sábado, fevereiro 19, 2005 | |



Diário de Campanha: a reflexão...




Reflectindo sobre o dia de amanhã, veio-me à cabeça a paródia (um pouco bergmaniana) dos Monty Phyton sobre a chegada da morte a uma casa de família. Será isto a mera representação do que se passará hoje em casa dos perdedores de amanhã? Repare-se que nunca há derrotas, nos discursos eleitorais. Não quererão os políticos assim enganar a "morte"?

(Excerto dos Monty Phyton, The Meaning of Life, 1983)

"[Ingmar Mergman now takes over the direction of the film and re-invokes one of his greatest triumphs on a low budget. Bare windswept trees starkly silhouetted against the... oh you know. Lots of good sound effects, too: howling wind, howling dogs, howling sabre-toothed field mice. Suddenly we see the Grim Reaper. He is hooded, in a black cloak with a sackcloth jock-strap, and bearing... a scythe.]


[He materializes outside a lowly cottage and strikes the door with his scythe. Geoffrey, who is Marketing Director of Uro-Pacific Ltd, opens the door. From inside the house
comes the sound of a dinner party.]

Geoffrey: Yes?

[Pause. The Reaper breathes death-rattlingly.]

Is it about the hedge?

[More breathing.]

Look, I'm awfully sorry but...

Grim Reaper: I am the Grim Reaper.

Geoffrey: I am Death.

Geoffrey: Yes well, the thing is, we've got some people from America for dinner tonight...

[Geoffrey's wife, Angela is coming to see who is at the door. She calls:]

Angela: Who is it, darling?

Geoffrey: It's a Mr Death or something... he's come about the reaping... [To Reaper.] I don't think we need any at the moment.

Angela: [appearing] Hallo. Well don't leave him hanging around outside darling, ask him in.

Geoffrey: Darling, I don't think it's quite the moment...

Angela: Do come in, come along in, come and have a drink, do. Come on...

[She returns to her guests.]

It's one of the little men from the village... Do come in, please. This is Howard Katzenberg from Philadelphia...

Katzenberg: Hi.

Angela: And his wife, Debbie.

Debbie: Hallo there.

Angela: And these are the Portland-Smythes, Jeremy and Fiona.

Fiona: Good evening.

Angela: This is Mr Death. Well do get Mr Death a drink, darling.

Angela: Mr Death is a reaper.

Grim Reaper: The Grim Reaper.

Angela: Hardly surprising in this weather, ha ha ha...

Katzenberg: So you still reap around here do you, Mr Death?

Grim Reaper: I am the Grim Reaper.

Geoffrey: [sotto voce] That's about all he says... [Loudly] There's your drink, Mr Death.

Angela: Do sit down.

Debbie: We were just talking about some of the awful problems facing the -
[The Grim Reaper knocks the glass off the table. Startled
silence.]

Angela: Would you prefer white? I'm afraid we don't have any beer.

Jeremy: The Stilton's awfully good.

Grim Reaper: I am not of this world.

[He walks into the middle of the table. There is a sharp intake of breath all round.]

Geoffrey: Good Lord!

[The penny is beginning to drop.]

Grim Reaper: I am Death."
Guilherme Oliveira Martins | sábado, fevereiro 19, 2005 | |

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Náusea e impreparação


Francisco Louçã arremessou, no debate de terça, o já famoso argumento da «isenção» concedida a um grupo económico. Louçã inflamou-se por ter sido concedida uma isenção de cerca de € 2,5 M numa operação de reestruturação. E inflamou-se ainda mais porque tal facto seria escandaloso à luz dos lucros da banca: mais de mil milhões de euros por ano!

Não curarei aqui de expor a ignorância jurídica que subjaz ao «argumento». O Jaquinzinhos, por exemplo, já o fez com denodo. Interessa-me mais apontar o argumento de Louçã como um profundo acto de demagogia.

A mensagem que Louçã quer fazer realmente passar não é a de que o Governo terá cometido uma ilegalidade. O apelo de Louçã não é dirigido a um escrutínio racional de uma certa situação. Com toda a franqueza, Louçã parece frequentemente ser indiferente à legalidade. O que Louçã quer (implicitamente) esgrimir é um argumento de torpe moralidade. Quer induzir em quem o ouve o seguinte raciocínio: «os bancos têm lucros fenomenais e pagam poucos impostos; eu que ganho pouco, pago muito». O que se pretende é que cada um contraponha a «injustiça» do pouco que ganha ao muito que o parceiro ganha; o que se quer é que cada um se indisponha por supostamente estar a contribuir mais do que o outro. Ora, isto é apelar ao que de mais baixo e medíocre existe na consciência social: o apelo é feito à inveja. É elevada a motor de decisão, apesar de ser semente da discórdia. Do fraccionamento. Do egoísmo.

Chegados a este ponto, culpar o Governo por esse facto – ou seja, pelo mal que se vive em contradição com o bem em que outros vivem – é um passo. Aí, importa descarregar o voto em quem compreende a nossa «dor». Em quem faz dela eco – sem que se perceba que não há verdadeiramente injustiça, mas só egoísmo mal-direccionado. O apelo de Louçã é, pois, um apelo ao voto de ressentimento. Ao voto ressabiado. Ao voto revoltado. Não há nada de digno, sério, elevado ou sincero nisto. Não há superioridade moral; só oportunismo.

Perante este cenário, seria de esperar que os candidatos dos demais partidos dissessem qualquer coisa em contrário. Debalde. É gritante a facilidade com que os demais candidatos entraram na corrente do discurso. Ora, isso é absolutamente inaceitável.

Não se exige aos demais candidatos que conheçam o regime jurídico em causa (enfim, até se exige, mas dá-se de barato...); nem se exige que conheçam o próprio processo. Mas é inaceitável que deixem passar em claro a demagogia do rasteiro argumento «anti-capitalismo». Ou, pior, que abracem, com maoir ou menor discrição ou com maior ou menor inépcia, esse discurso. O que podem esperar os empresários portugueses e estrangeiros de José Sócrates, quando este não se insurge imediatamente contra este tipo de lógica? Que credibilidade devemos dar às suas manifestações de princípios de querer dar «confiança» e «esperança» à economia? É com esta passividade e encolhimento perante estes raciocínios que se espera gerar a dita confiança? E quanto à direita, como é possível que consinta deixar passar um argumento tão básico contra a iniciativa privada? Devia ter sido imediatamente dito que o Estado não tributa fulano A porque fulano A é rico e ser rico é merecedor de repúdio; tributa-o porque recebe mais ou menos num ano e apenas em função das necessidades do Estado.

Todos estes líderes deveriam ter salientado o papel fulcral da banca numa economia livre e sadia. Sem bancos, não há economia livre que funcione. Qual é a alternativa? Obstaculizar ainda mais as operações de reestruturação empresarial? Isso só teria o efeito útil de estropiar o já débil tecido empresarial português, lançando para o desemprego milhares de portugueses. E deveria nacionalizar-se a banca, ou tornar a sua actividade cada vez mais desinteressante? Isso só resultaria numa rápida fuga de capitais de Portugal. Deveria, por isso, ter sido contraposta a dura realidade ao arrazoado demagógico: certas pessoas devem pagar menos agora para que, no futuro, todos paguem menos. Era isto que devia ter sido respondido.
O tempo é de responsabilidade, de fazer peito ao futuro e responder aos sacrifícios. Contrapor opções difíceis e difíceis de explicar a populismos rasteiros: a isto se chama sentido de Estado.

Jagoz | quinta-feira, fevereiro 17, 2005 | |

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Corações ao alto


À Irmã Lúcia foi dado um dom único. Podia ter caído em tentação e deixado crescer o seu orgulho; podia ter caído em tentação e deixado de ser instrumento para passar a objecto de adoração.
Mas não caíu. A sua vida foi da mais sincera humildade e do mais modesto recolhimento. Isolou-se da fama e da notoriedade para se aproximar de Deus. E fugiu de protagonismos e das luzes da ribalta, levando uma vida de recato, de contemplação e oração. Fugiu dos olhares porque sempre teve bem presente a ideia de que era um mero instrumento. Sabia que a atenção deve centrar-se no essencial -- em Nossa Senhora e na Sua mensagem -- e não no acessório -- na portadora da mensagem. Foi uma vida de anulação. Foi uma boa opção? Foi má? Foi a sua opção. Ponto.
Ora, o mínimo que TODOS podiam ter feito teria sido permitir que a Irmã Lúcia morresse da forma como quis viver. Devia ter-lhe sido permitido que a sua morte fosse, em todos os sentidos, o corolário da sua vida.
Mas não. A morte da Irmã Lúcia trouxe bulício, querelas e acusações. Se alguém queria homenageá-la, falhou. A melhor homenagem que lhe poderia ser feita seria respeitar a sua vontade e seguir o seu exemplo. Seria prestar atenção à mensagem e não à mensageira. Ninguém a homenageia impondo-lhe, depois de morta, uma condição que nunca quis para si. Ninguém a homenageia trazendo para o seu redor o conflito que sempre combateu. Ninguém a homenageia criando partes antagónicas onde devia haver comunhão e universalidade.

Jagoz | terça-feira, fevereiro 15, 2005 | |

domingo, fevereiro 13, 2005

Civilização de Tipo 0, ou a chamada "pré-história civilizacional"



Big Bang Posted by Hello

De acordo com o pensamento de Nikolai Kardashev, ainda nos encontramos num estádio civilizacional próximo do Tipo 0. No pressuposto de existirem pelo menos três estádios evolutivos, serão precisos mais de 100 mil a 1 milhão de anos para atingirmos o auge civilizacional. Senão vejamos:

Tipo I - civilização com capacidade para controlar todas as fontes de energia de um planeta. A civilização consegue controlar o tempo, prevenir terramotos, habitar o centro da Terra e explorar o Oceano. A civilização neste estádio já conseguiu explorar o seu próprio sistema solar.

Tipo II - civilização com capacidade para controlar o poder solar, ou seja, com poder para explorar directamente o sol. As necessidades desta civilização são tão vastas, que as suas máquinas consomem, na sua totalidade, a potência solar. Esta civilização começará a colonizar os sistemas solares.

Tipo III - civilização que controla o poder de uma galáxia inteira. Como fonte de energia usa o poder de mil milhões de sistemas estrelares. Nessa fase já conseguiu dominar as equações de Einstein e poderá dominar o espaço e o tempo.

A visão não é animadora. Acresce a isto tudo que quando o Sol se extinguir (daqui a mil milhões de anos), mesmo uma civilização de Tipo III não conseguirá sobreviver ao chamado grande congelamento.
Mas há uma esperança: a fuga para um outro universo, ou então apostar as energias disponíveis para fazer um universo novo... Porque não? Cabeças a trabalhar já!

Guilherme Oliveira Martins | domingo, fevereiro 13, 2005 | |

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Uma Família



Egon Schiele, The Family (1918) Posted by Hello
Guilherme Oliveira Martins | sexta-feira, fevereiro 11, 2005 | |



A dança: duas perspectivas...



Paula Rêgo


Matisse

Guilherme Oliveira Martins | sexta-feira, fevereiro 11, 2005 | |



Máquina de sonhos...




E se tivéssemos uma máquina que gravasse os nossos sonhos? Concerteza seria um vício, rever os nossos sonhos, realidade virtual, na qual, na maior parte dos casos, gostaríamos de viver. E porque não aproveitar o fim-de-semana para, pura e simplesmente, sonhar (acordado)?

Guilherme Oliveira Martins | sexta-feira, fevereiro 11, 2005 | |

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Kerouac, Shangrila e Benfica



California - Big Sur


Foi nesta reserva natural selvagem da Califórnia - já depois do percurso pelas estradas perdidas de Nova Iorque à costa Oeste que está na base de "Pela Estrada Fora", em que Sal Paradise é alter-ego -, que Kerouac escreveu em 1962 "Big Sur", o seu livro mais negro, aquele em que se sente a expiação dos pecados. Entre a felicidade evanescente do Big Sur e o desespero de São Francisco, Kerouac não resistiu à fama. Aqui Jack Duluoz, alter-ego, Kerouac é um homem quase-velho, diante da maturidade, mas ainda incapaz de a enfrentar: sempre a beber, de garrafa na mão, com deslumbres estáticos, elocubrações sobre o budismo e desesperos sem motivo. Tudo, numa sucessão de "deliria tremens", que muitos explicam com base na sua razão de viver: o alcance do paraíso. Algo que, ao que dizem, é quase tão inacessível como o mosteiro tibetano de Shangrila, nas montanhas da Lua Azul, sempre guardado pelos bons "sherpas". Sendo certo que os “sherpas” vão enriquecendo graças ao turismo de montanha, a verdade é que hoje se pergunta se esta prosperidade não terá tido um preço demasiado elevado: andam a pé para todo o lado e carregam os seus bens às costas - às costas dos iaques, se forem suficientemente ricos para possuir estes animais de carga locais - e sempre que uma família sherpa pretende construir uma casa nova, grande parte da estrutura tem de ser transportada, a partir das terras baixas por caminhos acidentados. Como quer que seja, "há uma pequenina coisa que é uma importante coisa: é a ausência das coisas negativas. Ao passo que as pessoas mais exigentes da vida precisam que lhes aconteça alguma coisa de muito bom para estarem felizes ou contentes; outras, que têm outra maneira de encarar a vida, estão bem sem que lhes aconteça coisa nenhuma. E isto já é uma forma de estarem livres para saborearem o lado melhor da vida" (Mário Zambujal dixit). Um abraço, Mário. Com o Benfica a ganhar no sábado em Braga.


JZM | quinta-feira, fevereiro 10, 2005 |



Pentesileia


"Penthesilea (mit schwacher Stimme) Hetzt alle Hund' auf ihn! Mit Feuerbränden Die Elephanten peitschet auf ihn los! Mit Sichelwagen schmettert auf ihn ein, Und mähet seine üpp'gen Glieder nieder!
Prothoe. Geliebte! Wir beschwören dich−−
Meroe. Hör' uns!
Prothoe. Er folgt dir auf dem Fuße, der Pelide; Wenn dir dein Leben irgend lieb, so flieh!
Penthesilea. Mir diesen Busen zu zerschmettern, Prothoe!−− Ist's nicht, als ob ich eine Leier zürnend Zertreten wollte, weil sie still für sich, Im Zug des Nachtwinds, meinen Namen flüstert? Dem Bären kauert' ich zu Füssen mich, Und streichelte das Pantherthier, das mir In solcher Regung nahte, wie ich ihm.
Meroe. So willst du nicht entweichen?
Prothoe. Willst nicht fliehen?
Meroe. Willst dich nicht retten?
Prothoe. Was kein Name nennt, Auf diesem Platz hier soll es sich vollbringen?
Penthesilea. Ist's meine Schuld, daß ich im Feld der Schlacht Um sein Gefühl mich kämpfend muß bewerben? Was will ich denn, wenn ich das Schwerdt ihm zücke? Will ich ihn denn zum Orkus niederschleudern? Ich will ihn ja, ihr ew'gen Götter, nur An diese Brust will ich ihn niederziehn!
Prothoe. Sie ras't−−
Die Oberpriesterinn. Unglückliche!
Prothoe. Sie ist von Sinnen!
Die Oberpriesterinn. Sie denkt nichts, als den Einen nur."

H. von Kleist, Penthesilea, excerto da cena 9


Representará a fúria de Pentesileia, rainha amazona, o mesmo grau de nervos à flor da pele próprios desta campanha eleitoral? Nesta só falta que soltem os elefantes...

Guilherme Oliveira Martins | quinta-feira, fevereiro 10, 2005 | |

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?


Lisbon Revisited (1923)

"Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos meus deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-a!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fôsse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sòzinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sòzinho.
Já disse que sou sòzinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul - o mesmo da minha infância -
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!

Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sòzinho!"

Álvaro de Campos

Guilherme Oliveira Martins | quarta-feira, fevereiro 09, 2005 | |

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Crack open the champagne & Surfer Rosa




O dia rompera cinzento e triste. As nuvens pairavam, pesadas, e havia no ar certa aspereza que era uma promessa de chuva. Ligados ao mundo global (net), vemos pubs que vão funcionar 24 h por dia, tendo as finanças públicas como pretexto (UK). Imigrantes clandestinos, que, em vias de regularização, se encontram em situações degradantes. Trapattoni que, vá lá saber-se porquê, nega ser defensivo. A campanha eleitoral aquém das expectativas. O desemprego de muitos, que não têm um meio de sustento. A justiça que aqui funciona mal. O mundo em constante mudança, o país numa encruzilhada. Todos nós, exceptuando os optimistas e os inconscientes, ressumamos crise ocasionalmente e todos nós, exceptuando os mesmos optimistas e os inconscientes, observamos crise por todo o lado. Como deixar de ver essa crise no nosso próprio recanto? Num conto conhecido de James Joyce (The Dead), a morte é uma singular observadora de uma festa alegre, bem disposta e despreocupada, minando propositadamente cada conviva. Ninguém se apercebe dela (não é evidentemente a morte física) e tudo parece correr no melhor dos mundos. E, no fim, essa morte, a decadência, o fim de uma era, cai rotundamente sobre uma das personagens. Não que ela o avalie melhor que as outras. Simplesmente, ela avalia-a. Nesse acto de avaliar, está uma porção do futuro global. Com serenidade e sem pessimismo. Quando o divórcio, ao arrepio de tempos idos, e para gáudio das empresas de eventos, já é encarado como pretexto de festa (inclui canapés), a questão pode resumir-se ao equilíbrio entre o Yin e o Yang da tensão e da serenidade. Para tanto, nesta terça-feira de Carnaval, aconselha-se uma boa nuvem de electrões a zumbir em estúdio: Frank Black, com a receita pixiland, está de volta. E, ao contrário dos prenúncios metereológicos, o sol brilha lá fora. Where is my mind.

JZM | terça-feira, fevereiro 08, 2005 |



Mu ou a cidade perdida



Codex Troiano Posted by Hello

Aproveito este dia para procurar saber um pouco mais da Atlântida perdida (MU ou Lemuria). Teria origem o terramoto de 1755 no centro do Atlântico onde se pensa que submergiu Atlântida? Ou será que Mu representa o continente perdido no meio do Pacífico? Uma coisa é certa - o planeta Terra terá uma representação diferente daqui a 1000 anos. Veja-se que o pólo magnético deslocou-se mais de 1100 km desde o início do século XIX (mais recentemente o tsunami asiático representou uma deslocação de 2,5 cm). A Terra está em movimento...

Guilherme Oliveira Martins | terça-feira, fevereiro 08, 2005 | |



Adeus à carne...



Posted by Hello

Carnevale significa adeus à carne. Representa a despedida da folia, antes da entrada na quaresma, que representa sacrifício, abdicação. Infelizmente, na sociedade actual é mais um feriado para apanhar uns copos e ver umas moças mais frescas na televisão. Sinais dos tempos...

Guilherme Oliveira Martins | terça-feira, fevereiro 08, 2005 | |

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

O meu défice é melhor que o teu?



Fonte: OCDE Posted by Hello

Já que estamos em maré de apresentação de resultados corrigidos, aqui vão mais uns números interessantes em matéria de equilíbrio. E agora, quem é o mau aluno?

Guilherme Oliveira Martins | segunda-feira, fevereiro 07, 2005 | |



Descubra as diferenças...




São duas obras de artistas diferentes (a primeira atribuída a Nuno Gonçalves, a segunda de Pollaiolo), mas com uma figura comum: S. Vicente. Será o ilustre leitor capaz de descobrir?

Guilherme Oliveira Martins | segunda-feira, fevereiro 07, 2005 | |



Por um espelho...




"No tempo em que eu era criança, falava como criança, sentia como criança, raciocinava como criança; mas quando me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho, de maneira confusa, mas então veremos face a face. Hoje conheço de maneira imperfeita: Então, conhecerei exactamente, como também sou conhecido" (1ª Carta de São Paulo aos Coríntios: 1, 11 -12)

Guilherme Oliveira Martins | segunda-feira, fevereiro 07, 2005 | |

domingo, fevereiro 06, 2005

"Never bullshit a bullshiter..."



Fonte: OCDE (2003) Posted by Hello

Fiquei abismado com o artigo do "Expresso" (caderno Economia) no qual se sustentava que os Governos PS foram os mais despesistas (em termos primários e ajustados os orçamentos aos ciclos). Não brinquem comigo! Basta olhar para os números puros e duros da OCDE (sem acertos doutrinais, porque falaciosos) para perceber que cada vez que o Governo PSD assume funções a despesa total sobe em termos percentuais quanto ao PIB.
Lanço um desafio aos estudiosos: para onde vão os montantes desorçamentados, já que esta é a única forma de reduzir a despesa primária? Queremos tudo às claras, em nome da transparência e clareza financeira...

Guilherme Oliveira Martins | domingo, fevereiro 06, 2005 | |

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Uma análise séria e descomprometida


É-nos fornecida pelo Paulo Gorjão:

«Não há muito para dizer. Pedro Santana Lopes precisava de ganhar o debate de forma clara e inequívoca, o que manifestamente não aconteceu. E não tendo acontecido, o vencedor acaba por ser José Sócrates. Acresce que o líder do PS esteve melhor do que Santana Lopes nos dois momentos cruciais, i.e. o início e o fim. Dito isto, a eventual vitória de Sócrates não constitui motivo para grande celebração. Não creio que o debate tenha garantido, nem de perto nem de longe, a maioria absoluta».

É de embatucar.
A vitória de Santana afere-se em função da satisfação das suas próprias necessidades. Já a vitória de Sócrates, porém, afere-se em função da frustração dos objectivos de Santana. O facto de, segundo o próprio Paulo Gorjão, Sócrates não ter conseguido fazer por chegar à maioria absoluta é absolutamente irrelevante. Em suma, a tese de Gorjão é a seguinte: não tendo Santana Lopes tido uma vitória total e incondicional -- em que Sócrates, talvez, saísse do estúdio cambaleante e soluçante --, a vitória é de Sócrates.
Estamos entendidos...


Jagoz | sexta-feira, fevereiro 04, 2005 | |

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

"O corpo é que paga"...



Lady Godiva... Posted by Hello


... lá cantava António Variações. Pelos vistos o perdão fiscal de 2003 não surtiu o efeito desejado (apenas se cobraram 353 milhões de euros, dentro dos 498,7 milhões previstos). Se pensarmos bem, muitos dos grandes pagamentos efectuados no final de 2003 foram objecto de reembolso pelo Estado, porque se reportavam, na sua maioria, a processos de execução suspensos, porque dependentes de julgamento de reclamações e impugnações.
Acresce agora o facto de o novo executivo não poder adoptar medidas concertadas semelhantes à do perdão fiscal, em virtude das obrigações assumidas na titularização dos créditos fiscais negociada com o Citigroup. E ainda dizem que o ainda Executivo não fez asneiras...
Terá o próximo executivo que andar nu pelo país, como Lady Godiva, para incutir na consciência nacional a necessidade de pagamento dos impostos para a prossecução da actividade financeira do Estado?

Guilherme Oliveira Martins | quarta-feira, fevereiro 02, 2005 | |

A ler

Patrick Gaumer, Le Larousse de la bande dessinée



Correspondence Between Stalin, Roosevelt, Truman, Churchill and Attlee During World War II



Dietrich Schwanitz, Die Geschichte Europas



Dietrich Schwanitz, Bildung - Alles war man wissen muss



Niall Ferguson, Virtual History: Alternatives and Counterfactuals



Niall Ferguson, The House of Rothschild: Money's Prophets 1798-1848



Niall Ferguson, House of Rothschild: The World's Banker, 1849-1998



Joe Sacco, Safe Area Goradze



Joe Sacco, Palestine



Hugo Pratt, La Maison Dorée de Samarkand



John Kenneth Galbraith, The Affluent Society (Penguin Business)



Mary S. Lovell, The Sisters - The Saga of the Mitford Family (aconselhado pelo Jansenista)



Charlotte Mosley, The letters os Nancy Mitford and Evelyn Waugh (aconselhado pelo Jansenista)



Ron Chernow, Alexander Hamilton



Henry Fielding, Diário de uma viagem a Lisboa



AAVV, Budget Theory in the Public Sector



JOHN GRAY, Heresies: Against Progress and Other Illusions



CATHERINE JINKS, O Inquisidor, Bertrand, 2004



ANNE APPLEBAUM, Gulag: A History of the Soviet Camps, Penguin Books Ltd, 2004



António Castro Henriques, A conquista do Algarve, de 1189 a 1249. O Segundo Reino



Philip K. Dick, À espera do ano passado



Richard K. Armey e Dick Armey, The Flat Tax: A Citizen's Guide to the Facts on What It Will Do for You, Your Country, and Your Pocketbook



Jagdish N. Bhagwati, In Defense of Globalization, Oxford



Winston Churchill, My Early Life, Eland




A ver

Eraserhead (um filme de David Lynch - 1977)


Eraserhead (1977) Posted by Hello

Nos meus lábios, JACQUES AUDIARD, 2001



A Tua Mãe Também, ALFONSO CUARON, 2002



Pickup on South Street, SAMUEL FULLER



The Bostonians, JAMES IVORY (real.)



In the Mood for Love, KAR WAI WONG, 2001



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