O Impecável
"Um homem que dorme tem em círculo à sua volta o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Consulta-os instintivamente ao acordar, e neles lê num segundo o ponto da terra que ocupa, o tempo que decorreu até ao seu despertar; mas as respectivas linhas podem misturar-se, quebrar-se." Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido



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terça-feira, maio 03, 2005

Resolver a questão


Flanando pela nossa oferta televisiva, deparei-me ontem com um debate (?) acerca do referendo sobre a despenalização do aborto. Falava a nossa ilustre arquitecta Helena Roseta. E queixava-se do «extraordinário» facto de «andarmos há 30 anos para resolver isto do aborto». Ele é atrasos, ele é obstáculos «e no fim nunca mais resolvemos isto». Debrucemo-nos sobre a honestidade do argumento.
Nos últimos 30 anos, foi aprovada uma lei que possibilita a realização do aborto; a lei foi posteriomente modificada; e, finalmente, foi submetida à consulta popular, por via de referendo, a possibilidade de se alterar uma vez mais a legislação vigente. O povo recusou a iniciativa. Perante este percurso (de 30 anos) a senhora arquitecta Helena Roseta conclui: «isto está por resolver».
Eis um eloquente exemplo de como se faz o debate democrático em Portugal e do profundo respeito que certa classe política nutre pelas ideias que não são as suas. O facto de sucessivas maiorias parlamentares e de uma maioria popular referendária se terem oposto à mudança da lei em vigor não é, para Helena Roseta, uma legítima e inatacável expressão da soberania popular ou -- ridículo! -- uma manifestação do regular funcionamento de um sistema democrático que cumpre mansamente respeitar. Toda a gente sabe -- Helena Roseta sabe! -- que «a democracia é moderna» e isso de ser contra a despenalização do aborto é bafiento e antigo; e que o que é verdadeiramente o espírito do nosso tempo é não deixar a situação num atoleiro -- o estado actual das coisas é, naturalmente, um atoleiro -- e «resolvê-la» -- porque do que se trata é de «resolver» a situação, como se esta fosse uma anódina minudência técnica que, num espírito minimamente iluminado, só admite uma opinião. A soberania parlamentar e a soberania popular só valem, pois, se se manifestarem no sentido correcto. E se não o fizerem, tentar-se-á repetidamente até que se aprenda.
Helena Roseta tem a subtileza, a candura e a fina sensibilidade democrática de D. Pedro IV: «queiram ou não queiram, os Portugueses vão ser livres».

Jagoz | terça-feira, maio 03, 2005 |

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A ler

Patrick Gaumer, Le Larousse de la bande dessinée



Correspondence Between Stalin, Roosevelt, Truman, Churchill and Attlee During World War II



Dietrich Schwanitz, Die Geschichte Europas



Dietrich Schwanitz, Bildung - Alles war man wissen muss



Niall Ferguson, Virtual History: Alternatives and Counterfactuals



Niall Ferguson, The House of Rothschild: Money's Prophets 1798-1848



Niall Ferguson, House of Rothschild: The World's Banker, 1849-1998



Joe Sacco, Safe Area Goradze



Joe Sacco, Palestine



Hugo Pratt, La Maison Dorée de Samarkand



John Kenneth Galbraith, The Affluent Society (Penguin Business)



Mary S. Lovell, The Sisters - The Saga of the Mitford Family (aconselhado pelo Jansenista)



Charlotte Mosley, The letters os Nancy Mitford and Evelyn Waugh (aconselhado pelo Jansenista)



Ron Chernow, Alexander Hamilton



Henry Fielding, Diário de uma viagem a Lisboa



AAVV, Budget Theory in the Public Sector



JOHN GRAY, Heresies: Against Progress and Other Illusions



CATHERINE JINKS, O Inquisidor, Bertrand, 2004



ANNE APPLEBAUM, Gulag: A History of the Soviet Camps, Penguin Books Ltd, 2004



António Castro Henriques, A conquista do Algarve, de 1189 a 1249. O Segundo Reino



Philip K. Dick, À espera do ano passado



Richard K. Armey e Dick Armey, The Flat Tax: A Citizen's Guide to the Facts on What It Will Do for You, Your Country, and Your Pocketbook



Jagdish N. Bhagwati, In Defense of Globalization, Oxford



Winston Churchill, My Early Life, Eland




A ver

Eraserhead (um filme de David Lynch - 1977)


Eraserhead (1977) Posted by Hello

Nos meus lábios, JACQUES AUDIARD, 2001



A Tua Mãe Também, ALFONSO CUARON, 2002



Pickup on South Street, SAMUEL FULLER



The Bostonians, JAMES IVORY (real.)



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