O Impecável
"Um homem que dorme tem em círculo à sua volta o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Consulta-os instintivamente ao acordar, e neles lê num segundo o ponto da terra que ocupa, o tempo que decorreu até ao seu despertar; mas as respectivas linhas podem misturar-se, quebrar-se." Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido



Os Impecáveis









Blogues obrigatórios

A arte da fuga
Adufe
Almocreve das Petas
Blasfémias
Bloguitica
Casa dos Comuns
Causa Nossa
Cum grano salis
Grande Loja do Queijo Limiano
Impostos?
Irreflexões
Muito à frente
O Acidental
O Insurgente
O Jansenista
Peço a Palavra
República Digital
Tabacaria
Tugir
Uma Campanha Alegre


Leituras recentes

Inversão de valores
Os ensinamentos de Anthony Soprano...
Orçamento de 2005 e inversão do ónus da prova...
Perguntas sem resposta...
Destapar o orçamento...
Verdades fáceis - o regresso
Arejamento
Transportes e benefícios fiscais
O exemplo vem do Brasil
Preocupante...



Arquivos

09/01/2004 - 10/01/2004
10/01/2004 - 11/01/2004
11/01/2004 - 12/01/2004
12/01/2004 - 01/01/2005
01/01/2005 - 02/01/2005
02/01/2005 - 03/01/2005
03/01/2005 - 04/01/2005
04/01/2005 - 05/01/2005
05/01/2005 - 06/01/2005
06/01/2005 - 07/01/2005
07/01/2005 - 08/01/2005
08/01/2005 - 09/01/2005
09/01/2005 - 10/01/2005
10/01/2005 - 11/01/2005
11/01/2005 - 12/01/2005
01/01/2006 - 02/01/2006
03/01/2006 - 04/01/2006
04/01/2006 - 05/01/2006
10/01/2006 - 11/01/2006
11/01/2006 - 12/01/2006
02/01/2007 - 03/01/2007


Contacto



Technorati search


Site Meter

on-line

|


quinta-feira, outubro 21, 2004

Dignidade


O João Miranda sustenta a bondade da mais recente proposta de Pedro Santana Lopes de colocar professores como assessores de magistrados. Diz:

«Santana Lopes tem alguma razão. Num país normal, funcionários públicos que por acaso são professores poderiam ser reciclados para trabalhar em qualquer outra função. Mas nós não vivemos num país normal. Aqui as pessoas têm dignidade. Os professores já mandaram dizer que esta medida colocaria em causa a sua dignidade profissional. Os juizes já mandaram dizer que esta medida põe em causa a sua dignidade profissional. Um professor mantém a sua dignidade se não der aulas ou se ficar a tomar conta dos meninos na biblioteca. E um juiz mantém a sua dignidade se continuar submerso em processos.»


Que responder? De certa maneira, esta argumentação enferma do mesmo mal que as do PCP e do BE: um alheamento da realidade. Até seria muito boa -- não fosse feita de acordo com um mundo que não existe. É que esta «ideia» implica:
- esquecer que um assessor jurídico não é fabricado por «reciclagem»;
- esquecer que essa dita «reciclagem», mesmo que fosse possível, nunca seria realizada em tempo útil para produzir efeitos este ano lectivo;
- esquecer quem são os professores na prateleira, muitas vezes senhoras já a caminho dos 50 anos e com muitos anos acumulados de ensino;
- não ponderar o que fazer nos anos lectivos seguintes com os professores reciclados (a não ser que a «reciclagem» fosse definitiva);
- insinuar que os professores folgam em estar um ano parados;
- insinuar que os juízes folgam em estar submersos em processos;
- entender que os alunos devem ficar em auto-gestão na biblioteca (e, por maioria de razão, onde quer que seja);
- vulgarizar a ideia de «dignidade», substracto filosófico da civilização judaico-cristã;
- esquecer a teoria dos direitos adquiridos (que ainda vai distinguindo uma administração democrática de uma administração totalitária), com o resultado de entender que, «fosse isto um País normal, os funcionários públicos iam para onde se lhes manda e calou!».

Como se vê, à luz destes elementos, a proposta não é minimamente razoável. Esquecermos que vivemos num mundo onde a um empregado/funcionário público não podem ser totalmente alteradas (por ser seu direito) as funções profissionais independentemente da sua opinião, não é uma opção. Esquecermos que já acabou a servidão e que a arbitrariedade não é um recurso governativo, não é uma opção. Esquecermos que a gestão de recursos humanos importa lidar com as idiossincrasias desses recursos, não é uma opção. Esquecermos as exigências próprias das actividades pedagógica e judicial e a sua incompatibilidade, não é uma opção.

Jagoz | quinta-feira, outubro 21, 2004 |

|
A ler

Patrick Gaumer, Le Larousse de la bande dessinée



Correspondence Between Stalin, Roosevelt, Truman, Churchill and Attlee During World War II



Dietrich Schwanitz, Die Geschichte Europas



Dietrich Schwanitz, Bildung - Alles war man wissen muss



Niall Ferguson, Virtual History: Alternatives and Counterfactuals



Niall Ferguson, The House of Rothschild: Money's Prophets 1798-1848



Niall Ferguson, House of Rothschild: The World's Banker, 1849-1998



Joe Sacco, Safe Area Goradze



Joe Sacco, Palestine



Hugo Pratt, La Maison Dorée de Samarkand



John Kenneth Galbraith, The Affluent Society (Penguin Business)



Mary S. Lovell, The Sisters - The Saga of the Mitford Family (aconselhado pelo Jansenista)



Charlotte Mosley, The letters os Nancy Mitford and Evelyn Waugh (aconselhado pelo Jansenista)



Ron Chernow, Alexander Hamilton



Henry Fielding, Diário de uma viagem a Lisboa



AAVV, Budget Theory in the Public Sector



JOHN GRAY, Heresies: Against Progress and Other Illusions



CATHERINE JINKS, O Inquisidor, Bertrand, 2004



ANNE APPLEBAUM, Gulag: A History of the Soviet Camps, Penguin Books Ltd, 2004



António Castro Henriques, A conquista do Algarve, de 1189 a 1249. O Segundo Reino



Philip K. Dick, À espera do ano passado



Richard K. Armey e Dick Armey, The Flat Tax: A Citizen's Guide to the Facts on What It Will Do for You, Your Country, and Your Pocketbook



Jagdish N. Bhagwati, In Defense of Globalization, Oxford



Winston Churchill, My Early Life, Eland




A ver

Eraserhead (um filme de David Lynch - 1977)


Eraserhead (1977) Posted by Hello

Nos meus lábios, JACQUES AUDIARD, 2001



A Tua Mãe Também, ALFONSO CUARON, 2002



Pickup on South Street, SAMUEL FULLER



The Bostonians, JAMES IVORY (real.)



In the Mood for Love, KAR WAI WONG, 2001



Powered by Blogger