O Impecável
"Um homem que dorme tem em círculo à sua volta o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Consulta-os instintivamente ao acordar, e neles lê num segundo o ponto da terra que ocupa, o tempo que decorreu até ao seu despertar; mas as respectivas linhas podem misturar-se, quebrar-se." Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido



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sexta-feira, dezembro 17, 2004

Top200


Na sequência do meu post de há dois dias, falemos agora de um segundo assunto -- este, sim, com verdadeira importância.
1. De acordo com uma notícia do Público de quarta-feira, o Times realizou um estudo sobre a qualidade do ensino superior à escala global, do qual resultou uma lista das «200 melhores universidades do Mundo». Como ponto prévio, diga-se que os critérios eram relativamente objectivos: rácio docente/discente, capacidade de atracção de docentes e discentes estrangeiros, reconhecimento internacional de pares, citações e autorias em publicações, etc. São critérios questionáveis? Todos são; mas estes traduzem opções determinantes.
2. Pois bem, que disse a lista final? Disse que: (1) no Top10 temos 7 universidades americanas -- as primeiras 5; (2) no Top10 temos 9 universidades anglo-saxónicas -- Oxbridge [genuflexão] juntando-se à festa; (3) o 10.º lugar é ocupado por -- pasmo! -- Zurique; (4) metade do Top50 são universidades anglo-saxónicas (juntando os EUA, o Reino Unido, o Canadá e a Austrália); (5) No Top20 não entra nenhuma universidade da Europa Continental, mas apenas dos EUA, RU, Suíça, Austrália, China, Singapura e Japão -- refira-se que Singapura e Japão têm matriz anglo-saxónica; (6) da Europa Continental só entram 3 universidades no Top50, duas francesas e uma alemã; (7) do Top200, 62 universidades são americanas e 30 são britânicas; (8) no Top200, só entram duas universidades da Europa do Sul, Madrid e Roma em 67.ª e 68.ª posições; (9) no Top200 nem há rasto de uma universidade portuguesa.
3. Importa fazer uma séria reflexão sobre estes resultados. E importa fazê-lo porque os critérios para elaborarem esta lista não são cálculos de notas finas de curso, ponderados em função de um qualquer quoficiente. Esta lista foi feita em função de produção académica, de resultados profissionais e de prestígio entre pares. Ou seja, a análise teve em conta o que a universidade é e o que a universidade origina.
Ora, tendo isso em mente, é preocupante verificar que o modelo universitário da europa continental -- que é o nosso -- é manifestamente incapaz de ombrear com o modelo universitário anglo-saxónico e, pior, com os pólos universitários emergentes que se situam na Ásia e na América Latina.
4. Este é o meu primeiro contributo para a reflexão: qual é o problema das universidades europeias? O problema é que estão agarradas, há muito tempo, a um modelo rígido e sorumbático. Sem pruridos: a universidade europeia continental existe para si própria. Portugal é um caso sintomático. A universidade portuguesa -- salvo honrosas excepções (poucas) -- não existe para o mundo que a rodeia. Isto define o seu curriculum, o seu funcionamento, as suas iniciativas, o modo como lida com os alunos, a própria visão que tem da sociedade.
Em que medida Bolonha conseguirá alterar este estado de coisas? Não mudará nada, se não estivermos preparados, portugueses e europeus, para substituir as noções universitárias vigentes pelas concepções anglo-americanas. Ou seja, se não estivermos dispostos a adoptar modelos flexíveis, ambiciosos, motivantes e chamativos para os alunos; se não estivermos dispostos a promover uma verdadeira inter-ligação entre ensino superior e mundo profissional.

Jagoz | sexta-feira, dezembro 17, 2004 |

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A ler

Patrick Gaumer, Le Larousse de la bande dessinée



Correspondence Between Stalin, Roosevelt, Truman, Churchill and Attlee During World War II



Dietrich Schwanitz, Die Geschichte Europas



Dietrich Schwanitz, Bildung - Alles war man wissen muss



Niall Ferguson, Virtual History: Alternatives and Counterfactuals



Niall Ferguson, The House of Rothschild: Money's Prophets 1798-1848



Niall Ferguson, House of Rothschild: The World's Banker, 1849-1998



Joe Sacco, Safe Area Goradze



Joe Sacco, Palestine



Hugo Pratt, La Maison Dorée de Samarkand



John Kenneth Galbraith, The Affluent Society (Penguin Business)



Mary S. Lovell, The Sisters - The Saga of the Mitford Family (aconselhado pelo Jansenista)



Charlotte Mosley, The letters os Nancy Mitford and Evelyn Waugh (aconselhado pelo Jansenista)



Ron Chernow, Alexander Hamilton



Henry Fielding, Diário de uma viagem a Lisboa



AAVV, Budget Theory in the Public Sector



JOHN GRAY, Heresies: Against Progress and Other Illusions



CATHERINE JINKS, O Inquisidor, Bertrand, 2004



ANNE APPLEBAUM, Gulag: A History of the Soviet Camps, Penguin Books Ltd, 2004



António Castro Henriques, A conquista do Algarve, de 1189 a 1249. O Segundo Reino



Philip K. Dick, À espera do ano passado



Richard K. Armey e Dick Armey, The Flat Tax: A Citizen's Guide to the Facts on What It Will Do for You, Your Country, and Your Pocketbook



Jagdish N. Bhagwati, In Defense of Globalization, Oxford



Winston Churchill, My Early Life, Eland




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